Peste - Alagoas área de foco natural :Controle efetivo ou silêncio epidemiológico?

Ciclo bioecológico da Peste

Introdução: Aspectos epidemiológicos

A peste continua sendo um risco potencial em diversas partes do mundo, devido à persistência da infecção em roedores silvestres e ao seu contato com roedores comensais. Focos naturais de peste persistem na África, Ásia, sudeste da Europa e América do Norte e América do Sul. Na América do Norte, tem sido comprovada a existência da peste na região ocidental dos Estados Unidos. Na América do Sul, a peste tem sido notificada pelos seguintes países: Brasil, Bolívia, Equador e Peru.


No Brasil, existem duas áreas principais de focos naturais: Nordeste e Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro.


O foco do Nordeste está localizado na região semiárida do Polígono das Secas, em vários estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia), e no nordeste de Minas Gerais (Vale do Jequitinhonha), além de outra zona pestosa nesse estado, fora do Polígono das Secas (Vale do Rio Doce)
O foco de Teresópolis fica localizado na Serra dos Órgãos, nos limites dos municípios de Teresópolis, Sumidouro e Nova Friburgo


Peste


A peste bubônica também é conhecida como peste negra. Tal denominação surgiu graças a um dos momentos mais aterrorizantes da história da humanidade protagonizado pela doença: durante o século 14, ela dizimou um quarto da população total da Europa (cerca de 25 milhões de pessoas).




O quadro Triunfo da morte (1562), do pintor belga Peter Bruegel (1525-1569),
retrata o horror que a peste negra causou na Europa


A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e apesar de ser comum entre roedores, como ratos e esquilos, pode ser transmitida por suas pulgas (Xenopsylla cheopis) para o homem. Isso só acontece quando há uma epizootia, ou seja, um grande número de animais contaminados. Deste modo, o excesso de bactérias pode entupir o tubo digestivo da pulga, o que causa problemas em sua alimentação. Esfomeada, a pulga busca novas fontes de alimento (como cães, gatos e humanos). Após o esforço da picada, ela relaxa seu tubo digestivo e libera as bactérias na corrente sangüínea de seus hospedeiros.

A doença leva de dois a cinco dias para se estabelecer. Depois surgem seus primeiros sintomas, caracterizados por inflamação dos gânglios linfáticos e uma leve tremedeira. Segue-se então, dor de cabeça, sonolência, intolerância à luz, apatia, vertigem, dores nos membros e nas costas, febre de 40oC e delírios. O quadro pode se tornar mais grave com o surgimento da diarréia e pode matar em 60% dos casos não tratados.

Atualmente o quadro de letalidade é mínimo devido à administração de antibióticos, como a tetraciclina e a estreptomicina. Também existem vacinas específicas que podem assegurar a imunidade quando aplicadas repetidas vezes. No entanto, a maneira mais eficaz de combate à doença continua a ser a prevenção com o extermínio dos ratos urbanos e de suas pulgas.



Coleção de Yersinia spp.


A coleção de Yersinia spp. teve início em 1966 com o Plano Piloto de Peste em Exu (PPP), projeto patrocinado pelo governo brasileiro e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que desenvolveu um amplo programa de pesquisas na Chapada do Araripe-PE de julho de 1966 a novembro de 1974. Nesse período, foram isoladas 661 cepas de Yersinia pestis de casos humanos e de roedores e pulgas A coleção foi transferida para o CPqAM em 1982 e, até 1997, recebeu novos isolados durante ações de vigilância e controle da peste em áreas focais, sendo incorporados os últimos espécimes obtidos no Brasil.


Atualmente a coleção é composta por mais de 980 cepas: a) Y. pestis - 917 brasileiras e 15 estrangeiras isoladas nos EUA, Peru, Vietnam, Iran, Java, Birmânia e fornecidas pelo Instituto Pasteur de Paris (IPP/França), Instituto Nacional de Saúde (INS/Peru), Centers for Disease Control and Prevention (CDC/EUA) e Universidade de Cleveland (EUA); b) Y. pseudotuberculosis – 5 do IPP/França; c) Y. enterocolitica – 5 do IPP/França, 20 do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/FIOCRUZ) e 20 do Serviço de Referência em Yersinia de Araraquara/SP.

O acervo é considerado considerado coleção de serviço, referência e pesquisa e está incorporado ao Serviço de Referência em Peste (SRP) do CPqAM, referência nacional para o Ministério da Saúde. As culturas são mantidas no Laboratório de Biossegurança Nível 3 (NB3) da instituição. A preservação desse patrimônio, único no Brasil e o maior da América do Sul, para estudos comparativos no futuro é de extrema relevância.

Fonte: Pablo Ferreira  da  Fiocruz -Portal Saúde Gov  ,  Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fiocruz em Recife, centro nacional de referência para a peste bubônica e Blog Alagoas Real

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