A GRANDE PASSAGEM ( Páscoa, por Padre Zezinho )

Páscoa ou passagem tanto para os nossos irmãos, os hebreus ou judeus, como para os irmãos evangélicos e ortodoxos, e de maneira especial para nós católicos reveste-se de um significado místico muito profundo. Nós católicos dizemos que a partir da ressurreição de Jesus, passagem da morte para a vida, vitória sobre a morte que os evangelhos passou a ter sentidos e toda a nossa religião passou a ter sentido. São Paulo diz que se não teria ressuscitado, a nossa fé seria inútil, nós seríamos os mais tolos de todos os pregadores e crentes do planeta. Nós corremos o risco de acreditar que Jesus fez a passagem da morte para a vida, e que Ele, venceu a morte.


Os judeus celebravam a passagem do mar vermelho, com quem venceu o período da escravidão e superou a dominação; era a passagem da vida na prisão, ou da vida na opressão, para a vida em liberdade. Não se trata, portanto, só de atravessar o mar ou atravessar o rio, ou de fazer uma mudança. Trata-se de uma mudança profunda que faz toda a diferença: de escravos a homens livres, construído sua própria pátria e sem ninguém mandando neles – exceto Deus. E de homem assassinado, morto numa cruz e sepultado, para um homem ressuscitado, provando que era mesmo Filho de Deus, porque Ele havia predito isso, que ressuscitaria no terceiro dia.
Então, para nós a festa da páscoa é uma festa de vitória sobre a morte, vitória sobre o pecado, vitória sobre a escravidão. É uma festa de liberdade do ser humano, uma festa de quem não tem medo da morte porque a ressurreição virá e a vida é mais forte do que a morte, e uma festa de quem celebra o Senhor Jesus, como sinal certo de que nós sobreviveremos como humanidade. Haverá um céu, um novo céu, e haverá uma Terra renovada.
Crer na ressurreição de Jesus Cristo e, portanto, na páscoa – a passagem – é crer que o homem tem conserto. Não está tudo perdido, Jesus ressuscitou.
Páscoa da ressurreição são dois substantivos que a Igreja costuma colocar juntos, é porque a Igreja sabe que existem outras páscoas; a passagem da infância para a adolescência é uma páscoa; da adolescência para a juventude é uma páscoa; em inglês a palavra pass over, passar por sobre ou passar adiante. Todas as passagens de um esteado de vida para outro, de uma situação de vida para outra, do pecado para a conversão, são páscoas. Quando a Igreja acrescenta o substantivo páscoa da ressurreição, está querendo falar da passagem de Cristo, da morte para a vida e de uma passagem muito especial e de alguém muito especial. E lembra que um dia será a nossa vez, de morrer e ressuscitar.
São Paulo magistralmente analisa este acontecimento dizendo que um dia nós também ressuscitaremos, e então, veremos tudo com clara visão e sem véu, porque vemos tudo opnobilado e através de um espelho. É tudo meio obscuro, mas um dia vai ficar claro, só que teremos que fazer essa passagem e Paulo diz, “Não quero que vocês fiquem tristes, se lamentando pela morte. Porque nós somos chamados a uma vida eterna. E a morte é apenas uma passagem, um túnel escuro, mas que pode ser iluminado pelas luzes da fé e que certamente, vai nos conduzir para o outro lado dessa mesma estrada que é a vida”. É profundo o pensamento de que, da ressurreição de Jesus nós derivamos a nossa ressurreição e da passagem de Jesus derivamos a nossa passagem. Para nós, a morte é um túnel, iluminado pelas luzes da Graça, e que nós atravessamos – e não precisa ser tão escuro assim – para continuar a nossa vida de uma outra maneira.
Um cristão não deve ter medo da morte, São Francisco a chamava de irmã morte. Também não deve procurá-la, quando ela vier vai assumir como um momento de libertação, será a sua páscoa. Seguro de que ele não vai cair num nirvana ou no aniquilamento, ele vai encontrar o seu Deus e o seu Criador e vai viver para sempre, porque Deus nos cria uma vez e para todo o sempre. Nunca voltaremos ao nada, até porque não viemos do nada, viemos de Deus.
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