Quando a população critica a greve e se coloca ao lado do governo, está consentindo que a situação caótica do sistema de saúde persista - SINMED AL


Tem muita gente "indo na onda" do governo e criticando a greve dos médico da rede estadual, dizendo que a categoria deve voltar, que a população está sendo prejudicada, que os médicos não querem trabalhar. 

Na verdade, sempre que enfrentam problemas por demora no atendimento - seja em ambulatório 24 horas, no HGE, na Santa Mônica - pacientes e seus acompanhantes sempre culpam os médicos. Não culpam o governo outros profissionais do setor; culpam os médicos.

Todos querem a atenção dos médicos, e não importa se o hospital ou ambulatório está superlotado e tem apenas um ou dois médicos sobrecarregados para atender todo mundo. Se o médico não deixa o que está fazendo e vai atender os mais alterados, sofre ameaças e corre risco de agressão - quando não é agredido.

Os médicos também são culpados da falta de leitos, de suporte para soro, de medicamentos. E agora, com a categoria em greve, não falta motivo para acusar os médicos de só pensarem nos seus bolsos - como já escreveram aqui.

A população - e os demais profissionais da saúde e servidores públicos de modo geral - precisam atentar para o fato de que a greve dos médicos é parte de uma luta pela melhoria da assistência médica ofertada às pessoas que dependem do SUS em Alagoas (93% da população).

A questão não é só salarial, mas reivindicam-se também condições éticas de trabalho. E quando se fala em "condições éticas" o que se pede é que seja dada ao profissional da Medicina condições técnicas, estrutura de trabalho, material básicos, recursos de diagnóstico para o pelo exercício da profissão. Para que o médico possa colocar seus conhecimentos - adquiridos em, no mínimo, 6 anos de graduação e mais uns 3 de pós-graduação - a serviço da assistência às pessoas que precisam de atendimento médico.

Quando a população critica a greve e se coloca ao lado do governo está consentindo que a situação caótica do sistema de saúde persista. E o afã de condenar, de denigrir, de acusar os médicos, os "vilões de jaleco", é tão intensa, que as pessoas não se dão conta disso. Não percebem que estão trabalhando a favor do governo, que ignora as necessidades da população e se recusa a cumprir seu dever constitucional de oferecer assistência de saúde à população.
Fonte:SINMED/AL

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