ALERTA NA SAÚDE : MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS - HAITI - BRASIL


O governador do Acre, Tião Viana, decretou, nesta terça-feira 9 abril/2013 , situação de emergência social para os municípios de Epitaciolândia e Brasiléia em consequência da chegada descontrolada de imigrantes nestes locais, em sua maioria haitianos. Segundo Tião, o estado não possui mais capacidade para lidar com a questão e pede mais apoio da União para a resolução definitiva do problema."



Embora a notícia não traga em si nenhum surto ou epidemia, nenhum patógeno emergente ou reemergente, ela aponta determinantes que frequentemente se associam a emergência e disseminação de doenças: movimentos migratórios intensos e contínuos, aglomerações, precariedade nas condições sanitárias... Isso sem falar de um componente, já bem estabelecido quando se avalia a situação epidemiológica do local de procedência dos refugiados, o Haiti, onde a cólera se tornou endêmica desde o terremoto que destruiu o país, sua infraestrutura e pôs em penúria sua população (Veja dados da OMS/WHO sobre a situação da saúde do país acessando: http://www.who.int/gho/countries/hti.pdf.

Situações como as descritas na notícia são mais do que suficientes para desencadear e disseminar, em curto prazo, por exemplo, surtos de doenças de transmissão respiratória (incluindo influenza, varicela, meningite e... sarampo!) e de transmissão hídrica e alimentar (como hepatite A, salmoneloses, enteroviroses e... cólera!).


Muito se tem discutido, em uma perspectiva de Regulamento Sanitário Internacional, acerca dos eventos de massa internacionais que serão sediados no Brasil: Jornada Mundial da Juventude (Julho/2013), Copa das Confederações (Junho/2013), Copa do Mundo (2014), Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). O deslocamento de milhares de migrantes haitianos, com as possíveis implicações sanitárias, poderia ser um bom teste para a validação de mecanismos de vigilância (p. ex. para síndromes diarreicas, respiratórias e exantemáticas agudas), prevenção (p.ex. estabelecer esquemas de vacinação específicos para esse grupo) e controle (p. ex. identificação e monitoramento de suspeitos e expostos, a maioria ainda em situação ilegal, sem registros de entrada, sem documentos). Afinal de contas, trata-se ou não de um evento de massa internacional? Só que nesse caso em ambiente pouco, ou nada, controlado.

Comentários promed-port

Comentários