ENTEROBACTÉRIA NDM - CASOS CONFIRMADOS NO RIO GRANDE DO SUL - INFORME TÉCNICO ANVISA



Anvisa esclarece sobre casos de infecção/colonização por enterobactérias com mecanismo de resistência NDM-1 em Porto Alegre

Após a confirmação de casos de infecção/colonização por enterobactérias com mecanismo de resistência NDM-1 (New Delhi Metallobetalactamase) no Hospital Conceição, em Porto Alegre, a Anvisa enviou uma equipe de técnicos para o hospital, em conjunto com o Ministério da Saúde, e divulgou orientação para as unidades de saúde de todo o país.

A Anvisa recebeu, no dia 1º de abril de 2013, uma notificação de casos positivos pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Conceição, confirmada pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/RS), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/RS) e pelo Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar (LAPIH/IOC-Fiocruz). A partir daí, foram adotadas as seguintes providências:

1. No dia seguinte, foi realizada reunião entre a Anvisa e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, quando foi formada uma equipe para investigação no local do evento, que se juntou aos profissionais do município do Porto Alegre, do estado do Rio Grande do Sul, do Laboratório Central de Saúde Pública, da Gerência de Risco e da CCIH do serviço de saúde. A equipe de investigação permanece no local.

2. Foi realizada a busca ativa de contatos dos pacientes, criteriosa avaliação do processo de fracionamento, diluição e distribuição dos saneantes utilizados para limpeza de superfícies do hospital, bem como dos processos de trabalho estabelecidos para limpeza concorrente e terminal e dos protocolos de uso de antimicrobianos. Foram ainda coletadas amostras ambientais no hospital e encaminhadas para o Lacen/RS para exame.

3. A partir do conhecimento do evento pela Anvisa, a Agência enviou dois comunicados de risco (3 e 29 de abril) para os profissionais de saúde que atuam nos serviços em todo o país, especialmente nas áreas de controle de infecção hospitalar, com recomendações de medidas especificas para esta situação (Acesse aqui a Comunicação de risco nº 01/2013 e nº 02/2013

4. Em 17 de abril de 2013, a Câmara Técnica de Monitoramento da Resistência Microbiana (Catrem) elaborou a Nota Técnica nº 1/2013, publicada no portal da Anvisa, que estabelece, entre outras medidas, orientações sobre a terapêutica, a determinação do perfil de sensibilidade e os critérios interpretativos para avaliação da sensibilidade de enterobactérias e determinação de Concentração Inibitória Mínima (CIM), além da detecção laboratorial.

5. As apurações mostram que cinco pacientes foram infectados ou colonizados, entre setembro de 2012 até abril do presente ano. Dois deles receberam alta hospitalar e estão sendo acompanhados; outros dois continuam hospitalizados e um paciente foi a óbito por causas diversas. 

6. Os pacientes em alta hospitalar estão sendo acompanhados pela Vigilância Epidemiológica dos seus respectivos municípios de residência, enquanto dois pacientes internados estão em isolamento e sob constante monitoramento das equipes de saúde do hospital.

7. A UTI do hospital está parcialmente fechada para novas internações, para possibilitar a limpeza terminal de todo o ambiente, que somente será liberada para reinternações após a aprovação da CCIH. Além disso, foram designadas equipes, instrumentais e equipamentos exclusivos para os pacientes colonizados pelo agente, reforçadas as medidas de higienização das mãos e reavaliados os processos de limpeza dos ambientes e equipamentos. A Secretaria Municipal de Saúde está garantindo o suporte com leitos de UTI em outros serviços.

8. Até o presente momento, não há evidência de ocorrência de casos em outros hospitais ou na população em geral, encontrando-se restrito a um único hospital de Porto Alegre.

9. No entanto, cuidados relacionados à higienização das mãos são imprescindíveis. Os acompanhantes deverão cumprir as orientações da CCIH, quanto às medidas de precauções de contato e precauções-padrão.


Histórico

A resistência aos antibióticos das enterobactérias é um grave problema de saúde pública de âmbito mundial, particularmente pela elevada mortalidade e pela limitação de opções terapêuticas.

Alguns mecanismos de resistência são denominados por siglas e popularmente divulgados como “superbactérias”. É o caso da KPC, da OXA, da IMP e da NDM. Existem duas famílias de carbapenemase, sendo as betalactamases (tipo KPC) e as metalobetalactamases (tipo NDM, VIM e IMP), e ambas inativam os antibióticos.

As enterobactérias são microrganismos bastante conhecidos que em geral habitam os intestinos humanos e eventualmente podem causar infecção em pacientes suscetíveis. Podem ser suscetíveis às pessoas sob estresse metabólico, como pacientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pacientes com doenças crônicas debilitantes ou com feridas operatórias, usuários de medicamentos imunossupressores (como os corticoides e os usados para evitar rejeição de órgão transplantado) ou usuários de dispositivos invasivos como cateteres e sondas.

As siglas KPC, OXA, IMP e NDM-1 não são, na verdade, “superbactérias”, e representam os nomes dados às enzimas produzidas por alguns tipos de bactérias. São essas enzimas que conferem resistência do micro-organismo aos diferentes tipos de antibióticos existentes. Algumas delas podem ser transmitidas por contato, fundamentalmente, pelas mãos. A disseminação do mecanismo de resistência ocorre por plasmídeos e o risco de propagação entre as espécies é elevado.

Este evento representa a primeira detecção de enterobactéria com mecanismo de resistência blaNDM1 (tipo NDM "New Delhi Metalobetalactamase") no Brasil. Este mecanismo de resistência foi detectado inicialmente na Índia e, mais recentemente, em outros países da América do Sul.

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