A prevenção com os resíduos de serviços de saúde ( lixo hospitalar )

Por prevenção ou quando alguns sintomas de doença aparecem, cidadãos buscam apoio nas unidades de saúde, como consultórios ou clínicas, seja odontológica, oftalmológica, de acupuntura etc. ou, em uma emergência, vão aos centros médicos, pronto atendimentos e hospitais da cidade procurar auxílio. Nesses estabelecimentos de assistência à saúde, assim como em outros locais, as atividades geram resíduos, entre eles, alguns que são perigosos. Por esse ponto de vista, o profissional tem dupla missão em prol da saúde: a assistência ao paciente e o gerenciamento adequado dos resíduos gerados. Aqui, será abordada a parte do pós-assistência, o gerenciamento de resíduos.

O gerenciamento dos resíduos é de grande importância para a saúde das pessoas e do planeta. Os Resíduos de Serviço de Saúde, ou popularmente conhecidos como lixo hospitalar, são um potencial causador de doenças para as pessoas, além de poluidor do meio ambiente, associado aos seus potenciais riscos, biológico, químico e radioativo.

Risco biológico é aquele associado a doenças causadas por vírus, bactérias, fungos, parasitas, entre outros microrganismos. Um exemplo que vem aumentando com o inverno é a gripe asiática ou H1N1, trazendo o alerta quanto ao risco gerado por esse vírus, principalmente por sua enorme transmissibilidade. Entre as causadas por bactérias está a cólera, meningite, tuberculose, entre outras. Já o risco químico, seja por contato direto, seja por ingerir pequenas doses (involuntárias) diariamente, ou por outro tipo de exposição, pode desencadear problemas a muitos órgãos diferentes, inclusive favorecer o desenvolvimento de células cancerígenas. Além disso, pode contaminar de solo, água e ar. E, no caso de risco radioativo, o Brasil teve um caso clássico na década de 1980, com o Césio 137, em Goiânia, onde centenas de pessoas foram contaminadas, causando morte a várias delas, e traz até hoje as marcas da tragédia.

Por esses e outros fatos, foi compreendido o risco e hoje há diversas resoluções e portarias de diferentes órgãos pautando a forma de proceder com resíduos perigosos e onde se aponta a necessidade do gerenciamento, tratamento e disposição final adequada desses e de outros tipos de resíduos que apresentem riscos. O gerenciamento cabe ao profissional da saúde e é imprescindível para assegurar uma gestão adequada, como identificar, segregar, acondicionar e armazenar de acordo com o risco e como preconizado na lei. A etapa do tratamento é de suma importância, pois visa controlar esse potencial risco à saúde e ao meio ambiente. Para cada tipo de risco, há um tratamento específico. Assim como na disposição final, que é usualmente feita em aterros sanitários, a etapa de tratamento deve ser licenciada pelos órgãos competentes.

E como a cada curto espaço de tempo "descobrimos" novas doenças e muitas de relevância epidemiológica, certamente é necessário que a prevenção se faça de fato. Portanto o profissional de saúde tem uma dupla missão na questão da prevenção. Primeiro na prevenção da saúde propriamente dita, protegendo, cuidando, assistindo a saúde do paciente. Após esse procedimento, ele deve ter o cuidado com o correto manuseio dos resíduos gerados por essa nobre e imprescindível atividade, realizando ações conscientes para minimizar futuros riscos ocupacionais, da saúde pública e da saúde ambiental.

Camila Passarella Bortoletto é graduada em Tecnologia em Saúde e especialista em gestão integrada: meio ambiente e saúde e segurança no trabalho. É gerente da Unidade de Tratamento de Resíduos de Serviço de Saúde e de Sustentabilidade - Contemar Ambiental.

Notícia publicada na edição de 17/06/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 007 do caderno A

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