Alagoas : falta de visão alimenta caos na saúde





Há vários anos, as bandeiras de luta do SINMED para a saúde estadual são as mesmas: concurso público para médicos, remuneração digna e PCCV para a categoria e reestruturação da rede de atendimento, para melhoria das condições de trabalho e da assistência à população. Mas o governo faz exatamente o oposto do que é reivindicado: a rede de atendimento, subdimensionada e desaparelhada, encolheu ainda mais e a cada dia perde capacidade de assistência à população, que continua aumentando. Hoje, apesar de todos os prestadores de serviços e “temporários” contratados, faltam médicos para atender à demanda. E faltam leitos, medicamentos, material. É o caos que persiste e progride. 

Mas o SINMED continua lutando por salários dignos e condições éticas de trabalho para os médicos efetivos e por aposentadoria decente. Os prestadores de serviços, que são hoje tão essenciais para que HGE, SAMU, UE do Agreste, Santa Mônica e outros continuem funcionando, negociam em paralelo, pressionam o governo e conseguem obter ganhos tão dignos, que ficam até acima do que é reivindicado como justo para a categoria.

Os neurocirurgiões, cirurgiões do HGE, hematologistas do Hemoal, entre outros especialistas, ameaçaram deixar o Estado e conseguiram fechar acordos salariais excelentes. Bom para eles. Revoltante para os demais. E prova de ignorância e falta de visão do governo (para não se supor outros interesses por trás dessas negociações). Porque não pode existir vida inteligente em um governo que prefere gastar mais para fazer o que é errado, o que é inconstitucional, quando poderia economizar fazendo o que é certo e ainda atendendo às reivindicações justas da classe médica. 

Afinal, se realizasse concurso público e implantasse o PCCV nos moldes reivindicados pelo SINMED e pela categoria, o governo certamente gastaria menos do que está gastando para pagar os salários exigidos pelos grupos que negociam em separado. Os próximos na fila dessas negociações são os clínicos prestadores de serviços do HGE. O governo que prepare para abrir os cofres, pois os clínicos querem isonomia com os cirurgiões. 



REUNIÃO COM O GOVERNADOR

A próxima reunião da comissão que negocia o salário dos médicos terá a participação do governador. O encontro deve acontecer na semana que se inicia, mas a data ainda não foi informada ao SINMED. Nessa reunião deve ser “batido o martelo”, com a aprovação, pelo governador, dos cálculos feitos pelos técnicos e negociados pela comissão.

A etapa seguinte será o envio do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa Estadual para apreciação, votação e aprovação, para que seja garantido o início da recuperação salarial dos médicos da rede estadual de saúde.
Por conta do (quase) feriado da segunda-feira, Dia de São João, não haverá Assembleia Geral no SINMED. 

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