MANEJO DO PACIENTE COM DIARREIA



INFORMAÇÕES TÉCNICAS



1. Aspectos clínicos

Sinais e sintomas:
Aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Em alguns casos, há presença de muco e sangue. Pode ser acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal. No geral, é auto-limitada, com duração entre 2 a 14 dias e não confere imunidade duradoura.
Os episódios de diarréia aguda, de uma maneira geral, podem ser divididos em dois grandes grupos: diarréia aquosa e diarréia sanguinolenta*.
Diarréia aquosa: é caracterizada pela perda de grande quantidade de água durante a evacuação, promovendo uma alteração na consistência das fezes. Pode estabelecer rapidamente um quadro de desidratação. 
Diarréia sanguinolenta (disenteria): é caracterizada pela presença de sangue nas fezes, podendo haver presença de muco e pus. Sugere inflamação ou infecção do intestino.

Período de incubação:
O período de incubação é específico para cada agente etiológico. Para maiores informações consultar o “Manual de treinamento em monitorização das doenças diarréicas agudas – MDDA”, Brasília, 2005.

Período de transmissibilidade:
A transmissibilidade é específica para cada agente etiológico.

2. Etiologia
• Infecciosa
o Bactérias e suas toxinas 
o Vírus
o Parasitos
o Toxinas naturais
• Não infecciosa
o Intolerância a lactose e glúten
o Ingestão de grandes quantidades de hexitóis (adoçantes)
o Ingestão demasiada de alguns alimentos
o Sais mal absorvidos (Ex: laxantes e anti-ácidos)
o Ácidos biliares (após ressecção ileal) 
o Gorduras não absorvidas
o Algumas drogas (Ex.: catárticos antraquinônicos, óleo de rícino, prostaglandinas)
o Hormônios peptídicos produzidos por tumores pancreáticos

3. Modo de transmissão 
O modo de transmissão é por via fecal-oral:
• Transmissão indireta: ingestão de água e alimentos contaminados, contato com objetos contaminados (Ex.: utensílios de cozinha, acessórios de banheiros, equipamentos hospitalares).
• Transmissão direta: pessoa a pessoa (Ex.: mãos contaminadas) e de animais para as pessoas.
Os manipuladores de alimentos e vetores, como as moscas, formigas e baratas, podem contaminar, principalmente, os alimentos e utensílios. 
Locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais e penitenciárias apresentam maior risco de transmissão.

4. Tratamento 
O tratamento da doença diarréica aguda consiste em quatro medidas:
a) Correção da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico (Planos A, B ou C)
b) Combate à desnutrição
c) Uso adequado de medicamentos
d) Prevenção das complicações

A avaliação do estado de hidratação do paciente com diarréia aguda independente da idade deverá seguir o cartaz “Manejo do Paciente com Diarréia”, do Ministério da Saúde, que orienta a escolha do tratamento de acordo com o grau de desidratação apresentado.

Medicamentos CONTRA-INDICADOS na diarréia aguda:

ANTIEMÉTICOS (Metoclopramida, Clorpromazina, etc.).
Podem provocar manifestações extrapiramidais, depressão do sistema nervoso central e distensão abdominal. Podem dificultar ou impedir a ingestão do soro oral.

ANTIESPASMÓDICOS (Elixir paregórico, Atropínicos, Loperamida, Difenoxilato, etc.). 
Inibem o peristaltismo intestinal, facilitando a proliferação de germes e, por conseguinte, o prolongamento do quadro diarréico. Podem levar à falsa impressão de melhora.

ADSTRINGENTES (Caolin-pectina, Carvão ativado, etc.)
Têm apenas efeitos cosméticos sobre as fezes, aumentando a consistência do bolo fecal, além de expoliar sódio e potássio.

ANTIPIRÉTICOS (Dipirona, etc.).
Podem produzir sedação, prejudicando a tomada do soro oral.

LACTOBACILOS etc
Não há evidência de sua eficácia, apenas onera o tratamento.

5. Aspectos laboratoriais
O diagnóstico das causas etiológicas da DDA é laboratorial, por meio de exames parasitológicos de fezes e culturas de bactérias e pesquisa de vírus. O diagnóstico laboratorial é importante na vigência de surtos para orientar as medidas de controle. Em casos de surto, solicitar orientação da equipe de vigilância epidemiológica do município para coleta de amostras. 
Para maiores informações sobre coleta de amostras (material, quantidade de amostra, forma de armazenamento e transporte) consultar o item apresentação (Vigilância epidemiológica das doenças diarréicas agudas).

6. Aspectos epidemiológicos

Reservatório/fontes de infecção:
Em geral são o homem, os animais, a água e os alimentos contaminados.

Notificação de casos suspeitos:
A DDA não é doença de notificação compulsória nacional quando se trata de casos isolados em virtude da sua elevada freqüência. Porém, algumas unidades de saúde sentinela, nas Unidades Federadas, são responsáveis por inserir os dados no Sistema Informatizado de Vigilância Epidemiológica de Doenças Diarréicas Agudas (SIVEP-DDA). A notificação de casos isolados de diarréia no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-NET) é facultativa e depende do interesse municipal. 
É de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde analisar os dados do SIVEP-DDA, verificando a qualidade e oportunidade dos dados.
Já a notificação de surtos de DDA é compulsória e imediata segundo Anexo II, item III, alínea a) da Portaria nº 5, da SVS/MS, de 21 de fevereiro de 2006, quando considerada um agravo inusitado. Este é caracterizado como “a ocorrência de casos ou óbitos de doença de origem desconhecida ou alteração no padrão epidemiológico de doença, independentemente de constar na Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória”. A notificação do surto deve ser feita no SINAN-NET e indicado como síndrome diarréica. 

7. Aspectos ambientais
- Garantir saneamento (domiciliar e peridomiciliar);
- Manter hábitos saudáveis para a superação dos fatores de risco, como o destino adequado dos dejetos e resíduos sólidos e tratamento da água a ser consumida; 
- Proteger os mananciais de água para consumo humano.

8. Medidas de Controle
As medidas de controle consistem em: melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar.
A educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência de diarreia, é fundamental, orientando as medidas de higiene e de manipulação de água e alimentos. 
Locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas. 
Considerando a importância das causas alimentares nas diarreias das crianças pequenas, é fundamental o incentivo a prorrogação do tempo de aleitamento materno, comprovadamente uma prática que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

http://portal.saude.gov.br/
* Tavares, W.; Marinho , L. A. C. Rotina de diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas e parasitárias. 2ª ed. ampl. Editora: Atheneu. São Paulo, 2007. p. 232-238.


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