Em visita aos EUA, jornalista que descobriu casos de cólera em Cuba

Calixto Martinez passando por Miami, pouco antes de partir para Washington. Foto: CaféFuerte


Calixto Ramón Martínez, o jornalista que revelou a epidemia de cólera em Cuba em 2012, está visitando os Estados Unidos para participar de um seminário de desenvolvimento profissional.

Martinez, 42 anos, esteve em Miami a caminho de Washington, onde vai começar o evento "Transparência e responsabilidade do governo", patrocinado pelo Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado.

O jornalista é o único cubano entre os participantes do seminário internacional, que terá início a partir de 23 setembro a 11 outubro e inclui passeios a instituições norte-americanas em várias cidades.

Martinez foi liberado no último 10 de abril depois de ser preso por mais de seis meses sem acusação formulada. Seu caso foi arquivado.

"A cólera está em todo o país", disse ele a CaféFuerte em Miami. "O governo não conseguiu controlá-la."


Um governo desacreditado


Depois de admitir o surto de cólera em Manzanillo e em outras cidades do leste de Cuba, as autoridades cubanas, deram por concluída a epidemia em 23 de agosto de 2012. Posteriormente, porém, o governo teve que reconhecer três surtos contínuos de cólera perante os órgãos internacionais de saúde. O último foi relatado no final de agosto, com 163 pessoas infectadas em três províncias, incluindo 12 turistas.

Martinez considera que o governo cubano está cada vez mais enfraquecido e desacreditado entre a população, porém falta uma ação cidadã para permitir a mudança real.

"Cuba é um país em caos, mas falta uma consciência e um sentimento de unidade para permitir a mudança política". disse. "A tendência geral entre as pessoas é ignorar a situação e encontrar uma solução para migrar."

Como integrante da agência de notícias independente Hablemos Press, Martinez foi o primeiro jornalista que denunciou a existência de cólera em Cuba, em uma nota publicada em 28 de junho 2012. Sua primícia incluiu a menção de mortes e obrigou as autoridades cubanas a admitir a doença em poucos dias.



Proibido Investigar

Ele foi preso em 16 de setembro de 2012, enquanto investigava uma pista sobre um carregamento de medicamentos para tratar a cólera, enviado por organismos internacionais e supostamente foi deixado no Aeroporto Internacional "José Martí" de Havana.

Desde então começou a odisséia de sua prisão por 204 dias. Na prisão, fez duas greves de fome.

A Anistia Internacional declarou-o um prisioneiro de consciência e repetidamente exigiu sua libertação, e também outras organizações como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e o Instituto Internacional de Imprensa (IPI),fizeram a mesma solicitação. Muitas manifestações foram realizadas em Cuba por sua libertação, assim como uma campanha nas redes sociais.

Sua liberação veio no mesmo dia em que as autoridades cubanas abriram algumas prisões para a imprensa nacional e correspondentes estrangeiros na ilha, como parte de uma operação de propaganda do Ministério do Interior.

Em seu retorno a Cuba, Martinez planeja começar a trabalhar em um novo projeto jornalístico em desenvolvimento, e está relacionado com a educação cívica e legal dos cidadãos.


Traduzido do original:
23 septiembre, 2013 by Café Fuerte in Cuba

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