Quem mata prefeitos não tem medo de médicos - por Milton Simon Pires


Advogados, engenheiros, professores, ou enfermeiros serão as próximas vítimas de um partido totalitário que não dá a mínima importância para a Constituição Federal.


Tenho visto, estarrecido, que inúmeras entidades médicas continuam manifestando-se, na imprensa escrita e na internet, sobre o Programa Mais Médicos. Leio, perplexo, apelos em que se segue falando em “dignidade médica”, planos de carreira e condições de trabalho. Pergunto: é impressão minha ou será que ninguém percebeu que essa fase já passou? Não entendem os presidentes de conselhos, sindicatos e associações que a medicina está acabando? Qual o sentido em falar nesse tipo de coisa quando a Medida Provisória 621 – agora prestes a ser transformada em lei – determina um golpe de morte na nossa profissão?

Quanto tempo vai levar para o que os médicos brasileiros consigam perceber que não estamos lidando com um partido comum, mas sim como uma organização criminosa filiada ao Foro de São Paulo? Semana passada, o agora ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná apontou o caminho a ser seguido pelo Conselho Federal e demais regionais. Não foi o suficiente?

No dia primeiro de outubro a MP 621, com várias modificações para o pior, entra em votação. O relator, Rogério Carvalho, é médico e deputado federal pelo PT do Sergipe. Leiam o que está escrito ali e me digam depois se faz sentido, nesse momento, falar em plano de carreira, salários e condições de trabalho ou se é imperativa nessa hora a renúncia de todos os conselheiros e presidentes de entidades médicas. Respondam se devemos pensar em exame “Revalida” ou no “Ato Médico” até a renúncia imediata do Ministro da Saúde e a revogação completa do programa Mais Médicos! Não percebem os verdadeiros colegas brasileiros e a população que as nossas entidades representativas – como quaisquer outras no Brasil – estão completamente “aparelhadas” pelos “companheiros”? Nem mesmo nas redes sociais nós conseguimos formar um consenso - tamanho é o medo da “Polícia Federal” vigiando o que escrevemos - e deveríamos mesmo assim esperar reação efetiva das grandes instituições?

Enquanto eu escrevo, quero fazer aqui uma denúncia gravíssima: 93 mil médicos brasileiros são mantidos politicamente calados num grupo do Facebook chamado Dignidade Médica. Não permitem os administradores qualquer manifestação contra o PT nem ataques a Alexandre Padilha. Prestam ali, conscientemente ou não, excelente trabalho para o Ministério da Saúde, pois imobilizam a reação dos colegas e – sob pretexto de manter o “foco” - não aceitam de maneira alguma uma luta francamente aberta contra o governo federal!

Já pedi – e faço novamente o apelo – ao presidente do CFM e dos conselhos regionais: por favor, renunciem. Não justifiquem com a sua presença no cargo esse plano diabólico do governo, que não é um golpe só contra nossa classe, é contra toda a população. Não forneçam, com a sua presença, a impressão de legalidade, de decência, e de boas intenções que essa gente do PT jamais teve ou terá.

A luta que nós, médicos, enfrentamos nesse momento não é mais nossa, as sim de todas as pessoas de bem no país. Advogados, engenheiros, professores, ou enfermeiros serão as próximas vítimas de um partido totalitário que não dá a mínima importância para a Constituição Federal, que tem na folha de pagamento o Judiciário Brasileiro, entre seus funcionários todo o Legislativo, e como seus cabos eleitorais toda a classe acadêmica.

Renunciem, senhores, não há mais nada a fazer. Quem mata prefeitos não tem medo de médicos.


Porto Alegre, 29 de setembro de 2013.




Milton Simon Pires é médico cardiologista.

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