Segurança privada não substitui PM


Quem acompanha com alguma atenção o noticiário policial de Alagoas certamente já percebeu o aumento do número de notícias sobre assaltos a vigilantes armados, contratados para inibir a atuação de criminosos nas proximidades de escolas particulares, bancos, farmácias, restaurantes, lojas, clínicas particulares, hospitais e até igrejas. Esses estabelecimentos apelam para as empresas de segurança privada porque falta segurança pública.

Porém, muitas vezes, os assaltantes têm ido a esses lugares justamente para se armar, roubando as armas dos vigilantes. Chegam de surpresa, em maior número e sempre com comparsas dando cobertura. Tomam as armas, assaltam os estabelecimentos, seus funcionários e clientes e saem mais preparados para continuar agindo impunemente.

No Primeiro Centro de Saúde, na Levada, um vigilante de uma firma privada morreu com um tiro no rosto, disparado pelo bandido que levou sua arma. Morreu em vão. O caso não serviu de alerta, não acordou o governo para a necessidade de melhorar o policiamento nas ruas para garantir mais segurança para a população. Não sensibilizou os responsáveis pela segurança pública para a necessidade de colocar a Polícia Militar nas unidades de saúde, que são alvos constantes da ação de criminosos.

Na sexta-feira, 22, a Secretaria Municipal de Saúde anunciou a contratação de uma firma de segurança privada para atuar nos estabelecimentos vinculados à pasta. Serão 144 vigilantes armados com a missão de proteger postos de saúde, ambulatórios 24 horas, Central Farmacêutica e Centro de Zoonoses, além da sede da SMS.

Segundo release da assessoria do secretário Jaelson Gomes, os vigilantes vão “reforçar a guarda do patrimônio público” e “devolver a segurança aos que trabalham e aos que utilizam os serviços de saúde”. “Chegamos num grau de violência tão assustador que alguns postos instituíram o toque de recolhimento. Ou seja, as portas eram fechadas antes das 17 horas por causa do risco de ações criminosas”, justificou o secretário que fez, ainda, alusão às agressões a médicos e outros servidores públicos, além de furtos de carros nas áreas de estacionamento.

Para o Sinmed, a medida pode minimizar, mas não vai resolver o problema – além do risco de armar ainda mais os bandidos. “Vigilância armada não inibe. A PM é capaz de afastá-los, porque os bandidos ainda respeitam”, disse o presidente do Sinmed, Wellington Galvão.

Ele, no entanto, lamentou a falta de capacidade do Estado de garantir segurança para a população. “Há 20 anos, a PM contava com um efetivo de 10 mil homens. Hoje a tropa não chega a 7 mil, dos quais se encontram na ativa pouco mais de 5 mil militares”, disse, citando informações da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal).

O presidente do Sinmed disse que em Maceió começa a acontecer o que acontece, por exemplo, em São Paulo. Os médicos estão deixando de trabalhar nas periferias violentas e se concentrando nas áreas que ainda oferecem um pouco de segurança aos cidadãos. Ainda assim, os relatos da ação de bandidos nas imediações e até dentro de clínicas, consultórios, laboratórios e outros estabelecimentos da rede privada aumentam a cada dia.

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