Farmex faz exigências absurdas e deixa doentes crônicos sem medicamentos



Portadores de doenças neurológicas crônicas, como demência e epilepsia, entre outras, que utilizam medicamentos disponibilizados pela Farmácia de Medicamentos Excepcionais de Alagoas (Farmex/Sesau), estão sendo obrigados a apresentar novos exames que confirmem sua condição clínica – requisito para que continuem tendo acesso aos remédios que, em alguns casos, recebem há vários anos. A medida determinada pela nova gestora da Farmex é criticada por médicos e causa revolta entre pacientes e seus familiares.

Esses pacientes já fizeram todos os exames necessários à comprovação de suas doenças, quando se habilitaram a receber os medicamentos. Por isso, não faz sentido que seja exigido tudo de novo. Principalmente, quando se sabe da dificuldade que um paciente do SUS tem para marcar consultas e exames em Alagoas (como no resto do País, diga-se). Tal exigência configura-se, além de desnecessária, desumana.

Mas como se isso não bastasse, a Farmex exige dos médicos a mudança do código das doenças. O neurologista Fernando Gameleira, que atende no Hospital Universitário da Ufal pacientes de todo o Estado, quase foi agredido por se recusar a mudar o código de uma doença. Ou seja, as medidas tomadas de forma arbitrária pela gestão da Farmex prejudicam não apenas os pacientes, que já sobrevivem com dificuldades, mas também os médicos, que se expõem às mais indignadas reações de quem não entende o que está acontecendo e nem sabe de quem é a culpa. Mas o prejuízo maior é ainda de quem depende do medicamento e corre o risco de ficar sem ele.

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