Mais Médicos é crime contra a população



Em recente visita a Alagoas, o ministro da saúde, Arthur Chioro, enalteceu os “resultados positivos” do programa Mais Médicos. Na entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, como candidata à reeleição, Dilma Rousseff disse, entre outras coisas, que “tentou” contratar 14 mil médicos brasileiros para trabalhar no interior do Brasil mas não conseguiu, e que agora, com os estrangeiros trazidos pelo Mais Médicos, o País tem “potencial” de atender 50 milhões de brasileiros que estavam desassistidos.

O que Dilma Rousseff não disse na entrevista, e nunca admitiu em canto nenhum, é que não ofereceu aos médicos brasileiros condições éticas de trabalho e remuneração digna para que fossem viver e trabalhar em localidades distantes de centros urbanos de grande porte. Omitiu que o SUS não tem um plano de carreira para médicos, com remuneração justa, incentivo para interiorização e fixação dos médicos no interior e, principalmente, não disse que nunca propôs a realização de um concurso público nacional para contratação desses médicos em caráter efetivo.

A falta de um plano de carreira no SUS com salário decente e a precarização do vínculo trabalhista são dois dos motivos que afastam os médicos do interior. Mas não são os únicos. A precariedade da estrutura das redes de atendimento, decorrente da falta de investimentos na construção, aparelhamento, abastecimento e manutenção de postos de saúde e hospitais, também afasta os médicos. Porque médico não faz milagre. Não advinha doença que não pode ser constatada com um exame clínico básico. Em muitos casos, precisa de suporte para fechar um diagnóstico que depende de exames laboratoriais, de imagem.

Na maioria dos municípios brasileiros onde faltam médicos, faltam também condições minimamente éticas para o exercício da medicina. Mas isso a presidente não admite. Também não admite que, entre os intercambistas, os que parecem ter de fato alguma formação médica estão trabalhando na periferia dos centros urbanos ou em cidades do interior, minimamente estruturadas. O resto, principalmente os supostos médicos cubanos, está fazendo “medicina humanizada”, como ela disse, em localidades longínquas, provavelmente por medo de serem desmascarados exercendo uma profissão para a qual não têm nenhuma formação.

Justamente por isso, as entidades e a classe médica brasileira consideram o Mais Médicos um crime contra o povo brasileiro. Muito já se falou dos absurdos cometidos por supostos médicos trazidos para o programa, como erros de diagnóstico, erros de medicação e de prescrição, pedidos descabidos de exames com justificativas esdrúxulas. Mas o programa, que desde seu anúncio foi identificado como eleitoreiro e oportunista, segue sendo usado para iludir e colocar em risco a vida das pessoas.

No Brasil, não faltam médicos. O País tem 400 mil médicos e milhares deles iriam de bom grado trabalhar no interior, se fossem como servidores públicos federais efetivos e decentemente remunerados, e que dispusessem de condições minimamente éticas de trabalho. Essa é a verdade. A saúde pública, o tal SUS universal, é direito do povo e dever do Estado. Mas sem investimento, não vai funcionar nunca. Do jeito que está não serve nem para discurso.

Fonte:SINMED-AL

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