MSF pede a OMS "ações" concretas e imediatas contra ebola, porque palavras "não salvam vidas"



A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu hoje à Organização Mundial da Saúde (OMS) que empreenda "ações concretas e imediatas" no terreno para lutar contra o ebola nos países afetados porque as palavras "não vão salvar vidas".
Médicos Sem Fronteiras descreveu a situação em países como a Libéria de "catastrófica", com muitos hospitais estão fechados e cadáveres estendidos nas ruas e casas.


"A declaração do ebola como uma emergência de saúde pública internacional mostra a seriedade tomada pela OMS quanto ao atual surto, mas as declarações não vão salvar vidas", indicou o diretor de operações da MSF, Bart Janssens, em comunicado .


A OMS declarou hoje o surto de ebola na África Ocidental como uma emergência pública médica internacional, depois de que o vírus tenha causado 932 mortos nessa região nos últimos quatro meses.


"Agora precisamos que esta declaração se traduza numa ação imediata no terreno" porque "estamos a perder vidas, pois a resposta é demasiada lenta", afirmou Janssens.


MSF conta atualmente com 676 médicos que trabalham na Guiné , Serra Leoa e Libéria, mas advertiu que chegou ao seu limite em termos de pessoal.


"Mobilizamos todas os nossos especialistas em ebola, mas simplesmente não se pode fazer mais", lamentou Janssens.


Nas últimas semanas, as equipes da MSF observaram um aumento "preocupante" da epidemia, com um aumento "drástico" dos casos na Serra Leoa e Libéria, onde já faleceram 286 e 282 pessoas, respectivamente.


MSF descreveu a situação na Libéria como "catastrófica", já que pelo menos 40 trabalhadores médicos estão infectados pelo vírus, a maioria dos hospitais da cidade estão fechados e há cadáveres estendidos nas ruas e casas.


Na Serra Leoa, a ONG conta com um centro de gestão de casos de ébola perto da fronteira com a Guiné, onde se ampliou o número de camas para fazer frente ao aumento de contágios, já que diariamente esse hospital recebe entre cinco e dez pacientes novos.


Respeito à situação na Guiné, onde morreram 363 pessoas desde que surgiu o surto do vírus no passado dia 22 de março, a MSF assegurou que, após um período de calma, registaram um aumento de novas infecções e mortes por ebola nas últimas semanas.


"Os países que possuem os recursos necessários devem enviar imediatamente os seus especialistas em doenças infecciosas que estejam disponíveis e socorrer a região. Está claro que a epidemia não será contida sem um desdobramento em massa no terreno", ressaltou Janssens.


Segundo a MSF, precisa-se de ampliar "radicalmente" o atendimento médico, a capacitação do pessoal médico, o controlo das infecções e os sistemas de alarme e de remissão, entre outros aspectos.


O ebola, que se transmite por contato direto com o sangue e fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, causa hemorragias graves e pode ter uma taxa de mortalidade de 90%.


Esta é a primeira vez que se confirma uma epidemia de ebola na África Ocidental, pois até agora sempre se tinham produzido na África Central. EFE

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