O último grande golpe contra o PSF foi o ingresso dos intercambistas,diz Sinmed/AL





Sinmed promoverá debates sobre PSF


O Programa Saúde da Família será tema de novos debates promovidos pelo Sinmed em Alagoas. O primeiro deles acontecerá em Maceió, no próximo dia 22 de agosto. O segundo está agendado para o dia 29, em Arapiraca. O objetivo é discutir, tentar entender e propor mudanças naquilo que foi rebatizado com o nome Estratégia Saúde da Família e que a cada dia se afasta mais da proposta original, desvirtuado pelos próprios gestores – desde os que ficam em Brasília até os municipais.


O último grande golpe contra o PSF ou Estratégia Saúde da Família foi o ingresso dos intercambistas – os estrangeiros trazidos pelo Ministério da Saúde para atuar como médicos, mas que, na sua maioria, principalmente entre os cubanos, não demonstram ter lá algum conhecimento de Medicina.


Antes disso, a falta de condições de trabalho, devido ao estado de deterioração dos postos de saúde, falta de equipamentos e falta de uma rede de referência e contrarreferência já comprometiam o funcionamento do programa. Mas esses nunca foram os únicos problemas.


Quando foi concebido, o PSF previa para as equipes uma carga horária semanal de 40 horas para seus profissionais, dando tempo para os atendimentos em postos de saúde, visitas domiciliares e elaboração dos relatórios de acompanhamento das famílias atendidas. Para tanto, o salário pago a um médico deveria ser equivalente a 30 salários mínimos – algo, hoje, em torno de R$ 21 mil. Em Alagoas nunca nenhum médico recebeu nem perto de 30 salários mínimos.


Como se não bastasse tudo isso, ainda tem o grave problema do vínculo – o vínculo do profissional com as prefeituras e o do profissional com as famílias. Quase totalidade dos médicos que atuam no PSF em Alagoas tem contrato precarizado. Isso faz com que a rotatividade de médicos nas equipes seja grande, o que dificulta que se estabeleça uma relação de conhecimento e de confiança entre médico e famílias.


Infelizmente, essa é a realidade do PSF em todo o Brasil. O desvirtuamento do programa, em que gestores não promovem concursos, não dão condições de trabalho e oferecem remuneração vil para que o médico trabalhe dois dias por semana, não é ‘privilégio’ de Alagoas. Essa prática é combatida pelo Sinmed desde sempre. Os novos fóruns de discussão sobre o assunto servirão como uma retomada da luta para se tentar resgatar o programa no Estado.

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