Vamos falar a verdade - Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti



Vamos falar a verdade


Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti

Médico Psiquiatra – CRM AL 1263 – RQE AL – 539





Toda a estratégia governamental nos últimos 30 anos visa atacar o poder que os médicos têm perante a economia. Esta realidade não é apenas brasileira e se impõe em praticamente todo o mundo. Em fóruns internacionais que participamos ela aparece em toda a América Latina, Caribe e Península Ibérica.

As recentes derrotas no parlamento e, no gabinete da Presidência da República, atacaram os médicos e suas instituições naquilo que é o elemento mais nevrálgico em qualquer sociedade, o poder de administrar econômica e financeiramente grandes recursos monetários.

Os médicos são o epicentro da mobilização do mais relevante montante de recursos financeiros em nosso país. É de R$ 390.000.000.000,00, isso mesmo, trezentos e noventa bilhões de reais, ou seja, dez por cento do PIB brasileiro dependendo para sua correta aplicação da presença dos médicos. Como praticamente tudo está relacionado aos mesmos, para que os procedimentos aconteçam, quer na prescrição de condutas, quer na execução das mesmas, nada mais natural que se formalizar ataques para diminuir esse poder. O médico hoje, para o governo, é o satanás da assistência ao povo, espezinhado para que se torne insignificante e não perturbe aos que os ridiculariza.

Retirar o médico do epicentro das ações, tornar sua presença desautorizada, converter sua participação em uma mera presença consultiva, sem poder de decisão, exclui o médico do protagonismo o colocando dependente da autorização e subordinação a terceiros, quer administradores públicos, quer privados, ou ainda outras profissões que almejam ocupar o lugar dos médicos.

O problema é que este protagonismo impõe responsabilidades que são cobradas diuturnamente dos médicos que, sem força, vê seus atos proficientes atacados e, sua imagem e autoestima destruída, o tornando uma espécie de corpo estranho ao sistema.

O pior mesmo é que quem ganha menos nessa cadeia produtiva, que é maior que a da indústria automobilística e da construção civil, é o médico.



Mesmo com este montante a disposição, a avidez do sistema impõe derrota sobre derrota à boa gestão. Com planejamento e racionalismo não é necessário retirar o médico do protagonismo. Na realidade é exatamente o contrário que o deve acontecer. Remunerar bem e cobrar sua participação responsável pode salvar a assistência médica em qualquer de seus níveis. Respeito é o que cobramos, não queremos nos apropriar do que é de ninguém.



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