Opressão SA, o novo modelo de espionagem e repressão exportado por Cuba

O regime dos irmãos Castro, que tem contido com sucesso qualquer manifestação de oposição em Cuba há mais de cinco décadas, transformou sua experiência na repressão e no controle social em lucrativos produtos de exportação e oferece a países aliados como Venezuela serviços para espiar e oprimir seus próprios cidadãos.
Opressão SA, o novo modelo de espionagem e repressão exportado por Cuba
Raul Castro  e Nicolás Maduro (à direita) conversando na segunda-feira 20 de outubro de 2014, em Havana (Cuba),

Na Venezuela, o aparato repressivo e de inteligência cubana é tão arraigado ao Chavismo que são os oficiais da ilha que constituem a primeira linha de defesa do regime de Nicolas Maduro, exercendo um papel de protagonista na contenção dos protestos estudantis que abalaram o governo durante o primeiro semestre deste ano. 

"Na Venezuela, existem hoje mais de 500 oficiais da contra-inteligência cubana, em todas as áreas da atividade militar" e civil, disse Juan Reinaldo Sanchez, um ex-tenente-coronel do Ministério do Interior de Cuba, que há 17 anos atuou como guarda-costas pessoal de Fidel Castro. 


Estes 500 são oficiais cubanos oficiais operam por sua vez em pequenas redes de agentes e informantes Venezuelanos e Cubanos, e, assim, "têm o controle de toda a atividade política, civil e militar" no país. 

Porém a informação que é recolhida não é transmitida diretamente ao regime Venezuelano


"Primeiro Cuba recebe a informação ,e em seguida, passam para os altos dirigentes civis e militares da Venezuela ",explicou Sanchez em uma entrevista, onde ele afirmou que Havana é quem decide o que deve ser relatado para Maduro. 



Espionagem e repressão tornaram-se um negócio lucrativo para o Castro, que aumentou gradualmente a sua influência em países-chave na região, onde oferecem desde o serviço de segurança e treinamento de pessoal até os serviços diretos de seus próprios agentes. 



Parte dos serviços de segurança são fornecidos por uma grande rede de espionagem criada por Cuba na Venezuela. 


Mas a ilha também oferece sistemas para espionar as pessoas, usando tecnologia fornecida por empresas estatais como Albet, Xetid e DATYS. 


Esta tecnologia, é baseada em cópias de programas e equipamentos de primeira geração, é usada para classificar e espionar melhor a sociedade, a fim de manter uma vigilância sobre as atividades de opositores . Especialmente para aqueles que poderiam ser considerados uma ameaça ao regime, disse o ex-conselheiro de segurança do governo venezuelano, Anthony Daquin , que trabalhou diretamente em alguns dos projetos operados por Albet . 


Estas empresas cubanas obtiveram contratos lucrativos na Venezuela, mas também tem operações em países como a Bolívia, Argentina ,Equador e Nicarágua, disse Daquin 



As fontes consultadas, também incluíram ex-funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) que disseram que essas empresas têm sido instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de um mapa gigante da oposição na Venezuela, com bancos de dados, que incluem as informações mais íntimas de cada pessoa que o governo tenha interesse ,desde a identidade do seu mais próximo parente até o que eles expressam em redes sociais e os bens materiais que possuem. 


Mas quem opera estas bases de dados é o pessoal cubano ,disse Sanchez, autor da vida oculta de Fidel Castro . 


"Eles [os oficiais cubanos] têm o compromisso de treinar o pessoal venezuelano, mas aqueles que estão sempre na primeira linha são os cubanos", disse ele.

As Operações de inteligência cubanas têm uma longa história na América Latina, desempenhando um papel importante no Chile, durante o governo de Salvador Allende, e em seguida, Daniel Ortega na Nicarágua, explicou Brian Latell, um ex-oficial para a América Latina da Agência Central de Inteligência e autor do livro "os Segredos de Castro, a inteligência cubana, a CIA e o assassinato de John F. Kennedy." 


"Ortega provavelmente não teria chegado ao poder na insurreição contra Somoza se Cuba não tivesse fornecido apoio militar e de inteligência. A maior parte deste apoio foi fornecido clandestinamente, mas foi um apoio massivo " disse Latell em uma entrevista por telefone. 


Mas as operações cubanas no Chile, Nicarágua e, posteriormente, Granada, podem ser comparadas com o que os Castros tem montado na Venezuela. 


"Os cubanos estão fazendo tantas coisas na Venezuela que estão praticamente colonizando esse país. O serviço de inteligência da Venezuela, é praticamente um apêndice do serviço de inteligência cubano ", disse ele. 


A ligação entre Chávez e os serviços de inteligência cubanos foi gradual, começando com a recomendação feita por Fidel Castro ao falecido Hugo Chávez, sobre a inconveniência de transferir a sua segurança ao pessoal venezuelano. 


"O que é alegado por parte de Fidel, é uma razão muito óbvia, que não se deve confiar sua segurança para as organizações que estavam comprometidos com os regimes anteriores, porque não seriam fiéis e por isso deveria procurar outros homens que poderia confiar , porque eles é que teriam em suas mãos a sua vida ", disse Sanchez. 


"E a partir daí começou o apoio consultivo, ajuda que logo em seguida, iria aumentar, pois a fim de realmente garantir a segurança, você tem que ter informação e foi proposta a expansão do âmbito do trabalho porque se necessita de informação sobre sinais de atentados e golpes de estado ", acrescentou. 



E essas operações cresceram a tal ponto que acabaram se tornando a principal fonte de inteligência de Chávez durante os últimos anos de seu mandato. 


Isso se refletiu no trabalho do WikiLeaks, que em telegramas do Departamento de Estado e em relatórios da empresa de inteligência privada Stratfor ilustrou o grau de dependência que Chávez chegou a ter com a inteligência cubana. 




"A capacidade de inteligência venezuelana recebeu um forte impulso após Chávez ter se aliado a Cuba [...] É por isso que Chávez é tão endividado com [eles] [...] o regime pode detectar todo complô com antecedência e pode manter a oposição vigiada devido ao grande número de cubanos envolvidos na coleta de inteligência ", disse o analista da Stratford em um e-mail interno. 

"A única coisa a lembrar é que o SEBIN nunca foi tão eficaz (pelo menos internamente) se não fosse pelos cubanos. Se Cuba decidisse retirar a sua cooperação, Chávez teria que desenvolver alguma capacidade de inteligência de forma rápida, porque caso contrário, estaria lascado ", acrescentou o analista. 

O número de agentes cubanos que operam em Cuba têm crescido ao longo do tempo, a ponto de atualmente existir uma extensa rede. 

Sanchez explicou que o serviço de inteligência cubano tem tratado de replicar na Venezuela os esquemas usados ​​na ilha, onde os oficiais monitoram pequenas redes de agentes e informantes entre quatro a cinco membros. 

.A informação pode vir diretamente do pessoal vinculado aos programas de cooperação cubana , como Barrio Adentro, e cada um dos médicos, enfermeiros ou preparadores físicos contam com um "agente" de inteligência que recolhe informações em seu computador. 


Esse agente, por sua vez, relata a informação recolhida ao oficial que controla ele. 


Mas nem todos os membros da rede são cubanos. Muitos são os venezuelanos que têm uma forte ligação com a ideologia marxista, alguns deles formados em Cuba. 


Um dos informantes venezuelanos mais conhecido é é um ex-apresentador de televisão Chavista Mario Silva, cujo relatório a um operador cubano foi gravado e distribuído publicamente nos meios de comunicação. 

Em Cuba este é o esquema usado para controlar desde a rua até os ministérios, onde um ministro pode estar inconscientemente sendo monitorado sem saber por uma secretária que poderia ser uma das informantes na rede.



Na Venezuela, a cobertura de inteligência não chegou a tais extremos, mas é bastante ampla, o suficiente para manter um olho sobre qualquer pessoa que pudesse representar uma ameaça para o poder exercido por Maduro, disse Sanchez. 


Editado e traduzido pelo Blog Alagoas Real.
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ANTONIO MARIA DELGADO

Antonio María Delgado en Twitter:@DelgadoAntonioM

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