A ignorância intencional da realidade em Cuba - Lincoln Diaz Balart



A deliberada ignorância da realidade em Cuba


Lincoln Diaz Balart

A tirania cubana procura incessantemente sua aceitação como um regime normal. Não poupa esforços nem recursos na realização dos seus objetivos. Contam para isso também com muitos aliados e cúmplices, abertos ou dissimulados. Em primeiro lugar, tem a seu favor, o que é fundamental para sua estratégia,o público desinteresse da atual administração dos EUA, um governo caracterizado por uma espécie de bonzinho pateta sem deixar de ser culpado e perigoso que promove a aproximação com a tirania, esquecendo antigas e atuais queixas,  negligenciando riscos óbvios, além do abandono dos valores e princípios com os quais tem sido edificado os Estados Unidos 



A partir daí, com a liderança dos Estados Unidos ausente, uma grande parte da América Latina foi colonizada por essa espécie de império da desvergonha que é a Cuba dos Castro, como no caso da Venezuela; semicolonizada ou, pelo menos no âmbito ideológico (os países da ALBA).

.Por outro lado, sem a pressão dos Estados Unidos, a Europa optou por ignorar e, com algumas ressalvas, está se preparando para colocar seus braços para a ditadura cubana, por meio do mau cheiroso. diálogo normalizador


Na América Latina, aumentam as pressões para aceitar o regime de Fidel Castro como um regime mais ou menos normal e, percebendo a fraqueza do governo dos Estados Unidos, exortam constantemente os EUA a regularizar as suas relações com Havana. Assim, o Governo do Panamá convidou com alegria os Castro a participar da próxima Cúpula das Américas.


O Presidente do Uruguai, José Mujica, um ex-terrorista Tupamaro, agora reciclado em governante "gentil e decente", clama para que seja reconhecido o regime Castrista sob o princípio da "unidade na diversidade". A presidente do Brasil, olvidando seu passado terrorista e de assaltante de bancos diz agora que "respeita igualmente os governos democráticos e as ditaduras"

Juan Manuel Santos, enquanto negocia com os narco-guerrilheiros sob os auspícios de Havana, recomenda encarecidamente aos Estados Unidos que normalizem suas relações com a tirania e que levante o embargo, argumentando que: "você pode ter uma relação de trabalho com muitas pessoas diferentes ". 

A presidenta do Chile Michelle Bachelet disse que não tinha certeza de que em Cuba exista uma ditadura . E no México, o PRI de volta ao poder, retomou euforicamente seu antigo romance com o Castrismo.

. Existe uma evidente hipocrisia em todos estes posicionamentos, juntamente com uma ignorância intencional da realidade. Hipocrisia porque Mujica, Dilma e companhia não conviveram harmoniosamente , nem respeitaram as ditaduras em seus países, mas entraram em confrontos com elas utilizando métodos violentos- muitos deles formados em Cuba e seguindo fielmente as orientações dos serviços de inteligência cubana

A hipocrisia das autoridades panamenhas que "esqueceram" que seu país foi o primeiro a ser atacado por Castro e, mais recentemente no tráfico de armas cubanas para a Coreia do Norte. Em suma, eles se esqueceram (alguns até mesmo respaldam a tirania) que o regime totalitário Castrista sempre foi, e continua se posicionando do lado do mal.

De fato, na época, Ronald Reagan chamou a já extinta União Soviética como o Império do Mal. Anos mais tarde, George W. Bush nomeou como membros do "eixo do mal", a Coréia do Norte, Irã e o Iraque de Saddam Hussein. A lista de regimes párias foi posteriormente estendida para incluir a Líbia de Gaddafi , Síria e alguns outros. Cuba de Castro tem sido e continua a ser um dos membros de destaque deste clube do mal. Essa é a realidade que ignoram todos os interessados que defendem o tratamento dessa gangue como um governo normal

Também esquecem -Na verdade não importa para eles a terrível realidade que o povo cubano tem vivido por mais de meio século, e permanece essencialmente inalterada. A realidade da absoluta falta de direitos, a pobreza, a repressão, a morte, o exílio. A realidade de uma tirania que excede em muito qualquer outro dos muitos que sofreram os povos da América Latina desde a época colonial aos nosso dias.Tudo isso parece "normal" para a maioria. Com esses criminosos querem estabelecer relações cordiais, de" colaboração entre diferentes". 


Não, a Cuba (ou melhor dizendo, a fazenda particular) dos Castro não é nem de longe um estado normal. É a anormalidade absoluta; a anti-Cuba. Aqueles que bem sabem são suas vítimas,os Cubanos. Apesar de todas as adversidades, muitos deles trabalham com o peito descoberto para fazer do seu país um país normal. Eles sabem que a tirania não pode ser salva e que nenhuma estratagema ou qualquer cumplicidade pode salvar os tiranos. Mais cedo ou mais tarde, a história vai varrer todo esse horror e condenará sem reservas tanto os dois tiranos como aqueles que têm sido seus cúmplices.



Lincoln Diaz Balart
Attorney at law; former U.S. Congressman; Chairman, CHLI; Representative, The White Rose Institute (Instituto La Rosa Blanca)

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