Cuba e Brasil são sócios no tráfico de seres humanos ?

A "importação" de médicos cubanos tem suscitado debate e uma extensa cobertura da mídia no Brasil, no entanto, o comércio de produtos como os derivados do sangue e partes do corpo humano não veio à luz. MARÍA WERLAU 

Cuba e Brasil são sócios no tráfico de seres humanos?

Nos últimos anos têm crescido muito as importações brasileiras de produtos derivados do sangue e extratos de glândulas e órgãos de Cuba. A construção do porto de Mariel é financiada com essas importações?



MARÍA WERLAU 

O governo brasileiro gastou enormes fundos dos contribuintes em empréstimos, doações e ajuda humanitária direta para projetos de infra-estrutura, exportações de alimentos e outras iniciativas em ou para Cuba . O Brasil também tem prestado um forte apoio internacional a ditadura militar cubana. O Porto de Mariel foi renovado com uma grande campanha midiática e um prato cheio de mais de 1 milhão de dólares em fundos públicos do Brasil, o exemplo mais visível do apoio financeiro e político.


Os empréstimos maciços do Brasil são imprudentes do ponto de vista de uma análise financeira tradicional. Cuba não é digna de crédito; tem um sólido histórico de inadimplência, sua dívida externa totalizou 75.000 milhões de dólares, de acordo com o The Economist Intelligence Unit,e é um dos quatro países com maior risco de investir.


Além disso, o próprio projeto do porto de Mariel não parece viável, uma vez que os dois motivos mais citados para justificar o enorme investimento são, na melhor das hipóteses, altamente questionáveis. Vários portos na área estão em melhor posição para tirar proveito da expansão do Canal do Panamá, e por hora não podem contar como certo o fim do embargo norte-americano.


O governo brasileiro tem aumentado consideravelmente os empréstimos públicos e os subsídios à exportação para Cuba e outros governos politicamente compatível -elevando o déficit nacional a 4% do PIB-, enquanto isso falta dinheiro para o financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil.

Da mesma forma, apesar de ter decretado um segredo sem precedentes em torno dos acordos com Cuba, vários congressistas e autoridades brasileiras investigam esses acordos dadas as inúmeras denúncias de corrupção, suborno e favoritismo para a empresa de construção do porto,a  Odebrecht, contribuinte do partido que está no poder, o partido dos Trabalhadores (PT).

Tudo isso aponta para uma vontade de apoiar Cuba a todo custo que parece incompreensível. No entanto, faz sentido do ponto de vista das fortes alianças político-ideológicas dos líderes do PT com o regime cubano para impulsionar uma agenda hemisférica radical e usar o aclamado porto como isca para o setor empresarial impulsionar a campanha contra o embargo dos EUA .


O financiamento do Porto de Mariel


Embora o projeto do porto de Mariel não cumpra os prazos de reembolso habituais, as autoridades brasileiras insistem que Cuba está cumprindo seus compromissos financeiros, presumivelmente,é a amortização do empréstimo que o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) concedeu à empresa Odebrecht para trabalhar no porto.


As Evidências sugerem que o reembolso vem da exploração dos cidadãos cubanos utilizados como matéria-prima para a exportação de bens e serviços ,comprados principalmente em sua maioria por entidades públicas do Brasil, que basicamente seria  uma parceria entre governo a governo no tráfico de pessoas.



Denominada de "cooperação em saúde" pelas autoridades de ambos os governos, ela consiste em:


1. Serviços de exportação de aproximadamente 11.400 médicos cubanos contratados para um programa do governo brasileiro lançado em 2013 que gera a Cuba receitas líquidas anuais de $ 404 milhões de dólares.


2. Os produtos de exportação relatados sob os códigos comerciais de sangue que inclui plasma sanguíneo , medicamentos ou outros produtos derivados de sangre e extratos de glândulas e órgãos. Estes têm crescido exponencialmente desde 2003, quando o então presidente Lula da Silva lançou a aliança Brasil-Cuba. As importações brasileiras de produtos derivados do sangue de Cuba cresceram de 570 mil dólares em 2002 para 16,9 milhões de dólares americanos em 2011, e em 2013, totalizaram US $ 4,8 milhões. As importações de extratos de glândulas e órgãos cresceram fenomenalmente de quase nada em 2003 ($ 25.804) para 88,4 milhões dólares em 2013.




As duas exportações levantam questões éticas preocupantes. Os Médicos são colocados em áreas remotas do Brasil como "bens exportáveis" em violação de diversas convenções de trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de normas e acordos internacionais que proíbem o tráfico, servidão e escravidão .


Embora não exista nenhum detalhe sobre quais os produtos que exatamente o Brasil importa de Cuba, se eles são, ao que parece, material humano, seu comércio teria implicações muito graves. Em Cuba, os sangue e tecidos ou órgãos ou partes são obtidas de doadores voluntários e não remunerados que ignoram o negócio multimilionário que com eles são realizados pelo governo cubano.


Além disso, as práticas empregadas utilizadas na coleta de sangue e material humano são altamente antiéticas e escandalosas e são elas que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a comunidade internacional consideram inaceitáveis. Há também dúvidas sobre a segurança, qualidade e eficácia desses produtos assim como o possível pretexto político por trás de sua compra.


A "importação" de médicos cubanos tem suscitado debate e uma extensa cobertura da mídia no Brasil, no entanto, o comércio de produtos como os derivados do sangue e partes do corpo humano não veio à luz. E enquanto as autoridades brasileiras estão se esforçando para integrar a produção biomédica e farmacêutica de Brasil e Cuba, o controle absoluto do regime militar cubano sobre esta indústria e as suas exportações de tecnologia de dupla utilização para os estados terroristas como o Irã e a Síria ainda não gerou qualquer questionamento público no Brasil.


Em Cuba, onde todos os meios de comunicação e imprensa estão nas mãos do Estado, não é possível haver qualquer discussão sobre o assunto.




O sangue e as glândulas cubanas importadas pelo Brasil



O deputado brasileiro Arolde de Oliveira fala (em Português) do requerimento feito por ele ao ministro da Saúde em seu país sobre o comércio de sangue e as glândulas de Cuba, e Maria Werlau (a partir das 15:00 minutos, em espanhol) fala sobre sua pesquisa sobre o assunto.



Editado e traduzido pelo Blog Alagoas Real.
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¿Son Cuba y Brasil socios en el tráfico humano?

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