SINMED AL : Relatório retrata caos na saúde em Maceió



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Os médicos do PSF de Maceió reuniram-se na última terça-feira, no auditório do SINMED, para discutir o conteúdo de um relatório sobre as condições de trabalho na rede municipal de saúde. O documento, elaborado com base nas denúncias dos próprios médicos, será concluído e encaminhado ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal, com cópias para a Prefeitura de Maceió e Secretaria Municipal de Saúde, entre outros órgãos e instituições.

Intitulado “Breve Relatório Sobre as Condições de Funcionamento das Unidades da Rede Municipal de Saúde”, o documento expõe a situação de abandono dos postos de atendimento da Capital alagoana, a precariedade da assistência oferecida à população e a falta de condições éticas de trabalho para os médicos. Pequenos tópicos resumem problemas referentes à Rede Física, Mobiliário, Equipamentos, Acesso, Abastecimento, Segurança, Cobertura, Burocracia, Insalubridade, Farmácia e, por último, Congelamento do PCCV da classe médica.

No que se refere à estrutura física, a rede é composta, na maioria, por prédios caindo aos pedaços, com problemas de infiltração, goteiras, instalações elétricas e hidráulicas deterioradas e subdimensionados para a demanda. Também é constante a falta de água. Existem consultórios em que a porta não fecha, impossibilitando a privacidade no atendimento aos pacientes. Mas isso não é tudo: tem local com fossa a céu aberto e paredes mofadas. Obras inacabadas, armazenamento inadequado de material de construção dentro dos postos e livre circulação de pessoas estranhas ao ambiente também compõem o cenário das unidades da rede municipal de saúde.

Em alguns postos não existe farmácia. E nas farmácias existentes a falta de medicamentos é uma constante. Desde os básicos até os medicamentos especiais, de uso contínuo, para pacientes crônicos. Recentemente, os médicos denunciaram a falta de medicamentos para pacientes com doenças neurológicas e até soro antirrábico.

Não obstante sucinto, o documento oferece bastante informação aos chamados “órgãos competentes” que se prontificarem a apurar as denúncias elencadas: desde a já citada falta de medicamento e os problemas de estrutura física, até a falta de equipamentos, mobiliário precário ou inservível, falta de uma rede de contrarreferência, dificuldade para marcação de exames e consultas com especialistas e a insatisfação dos médicos, devido ao congelamento do PCCV. O relatório é ilustrado por fotos tiradas pelos médicos nos seus locais de trabalho e contém trechos de um documento com denúncias enviado por uma médica ao SINMED.

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