CRISE DA SAÚDE EM MACEIÓ








Médicos aceitam Relógio de Ponto, mas exigem 


condições de trabalho; postos estão abandonados






Desde o início da atual gestão, há dois anos, a Prefeitura de Maceió ameaça colocar Ponto Eletrônico nos postos de saúde de Maceió. Parece que, na visão estreita dos gestores da Capital, a inexistência desse equipamento é responsável pela baixa cobertura do PSF em Maceió, pela falta de medicamentos, pelo escasso número de fichas para requisição de exames complementares e até mesmo pela dificuldade que os médicos dos postos têm em encaminhar pacientes que necessitam de consultas com especialistas ou mesmo de cirurgias para unidades da rede de contrarreferência. Parece muita responsabilidade para meros relógios de ponto.

Mas, se os digníssimos gestores de Maceió acham que esse é problema, por que não resolvê-lo? Afinal, os médicos da rede municipal sabem que precisam cumprir sua carga horária, comparecendo aos postos de trabalho e atendendo à população. Se os gestores entendem que isso não está acontecendo, que coloquem os relógios de ponto. Agora, se o problema não é a ausência dos médicos em seus locais de trabalho, outras providências deverão ser tomadas. E com urgência.

Aliás, tais providências têm sido cobradas com insistência pela classe médica, que denuncia, exaustivamente, a falta de condições de trabalho nos postos de saúde da Prefeitura de Maceió. O SINMED chegou a elaborar um relatório detalhando as deficiências existentes, encaminhando-o à Prefeitura, através do secretário de Governo, Ricardo Wanderley, mas a medida não teve nenhum efeito prático. O prefeito Rui Palmeira continua cantando para a mídia que vai colocar relógio de ponto nos postos porque os médicos não trabalham. 



Mas ele sabe que se fizer isso agora - sem reestruturar, reabastecer, reaparelhar, providenciar um sistema de manutenção e sem dar aos médicos e demais servidores as condições minimamente necessárias de trabalho – vai perder o discurso que tem usado para justificar sua incapacidade de fazer funcionar adequadamente um dos setores estratégicos de qualquer administração, que é a saúde pública. Fica mais fácil culpar os médicos. Mas, como culpá-los, chamando-os de preguiçosos e ausentes, se houver nos postos relógios de ponto eletrônico provando que eles vão ao trabalho? E que se a população não está sendo assistida é porque os médicos não têm recursos para atendê-la? Melhor deixar como está, prefeito Rui Palmeira?

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