O mosquito é infectante durante toda sua vida e o vírus da Febre Amarela se transmite em suas gerações

Vetores reservatórios e Hospedeiros

A extensão gradual das altas coberturas vacinais à população brasileira reduziria a necessidade de campanhas de vacinação em massa. Parece oportuno rever as ações de controle em curso considerando que a febre amarela não pode ser erradicada, e que o risco de reurbanização, considerado muito pequeno, não é desprezível. Luiz Antonio B. Camacho


Acresce o fato de se duvidar da possibilidade prática de erradicação do mosquito Aedes aegypti nas cidades. O grau atual de urbanização, de concentração populacional, da incrível variedade de embalagens descartáveis, da rapidez e eficácia dos meios de transporte e de muitas outras circunstâncias modernas, afasta qualquer veleidade nesse sentido. A vacinação - eis aí algo que mereceria a atenção de nossas autoridades sanitárias. E antes que seja tarde. Oswaldo Paulo Forattini 




A febre amarela é uma arbovirose que a partir do século XVII, dizimou vidas em extensas epidemias nas áreas das regiões tropicais da África e das Américas. 

É transmitida em natureza por dípteros hematófagos da família Culicidae, principalmente os pertencentes aos gêneros Aedes (vetor urbano), Haemagogus e Sabethes (vetores silvestres)





A OMS estima que cerca de 200.000 pessoas sejam infectadas anualmente com cerca de 30.000 mortes no período. Os dados epidemiológicos apontam para um crescimento da doença a partir de 1980, razão pela qual tem sido designada como uma doença re-emergente. Em nosso país, os estados de Goiás, Pará e Minas Gerais são os que mais notificam casos. Entretanto, a ocorrência de surtos em 2008 e 2009 nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, em áreas com mais de 50 anos sem transmissão, mostram que a força de transmissão da febre amarela cresce e emerge a cada ano, se dirigindo para o litoral, região mais populosa do Brasil e com baixa cobertura vacinal (~20%);DOENÇAS NEGLIGENCIADAS Coordenador: Prof. Wanderley de Souza


Vetores reservatórios:


 O mosquito da espécie Aedes aegypti é o principal transmissor da febre amarela urbana (FIGURA 3). Na febre amarela silvestre, os transmissores são os mosquitos, com hábitos estritamente silvestres, sendo os dos gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. No Brasil, a espécie Haemagogus janthinomys é a que se destaca na transmissão do vírus (FIGURA 4 ). Devido à persistência do vírus em seu organismo por tempo mais longo do que nos macacos, os mosquitos seriam os verdadeiros reservatórios, além de vetores. Na febre amarela urbana (FAU) o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica. Na febre amarela silvestre (FAS) os primatas não-humanos (macacos) são os principais hospedeiros do vírus amarílico, sendo o homem um hospedeiro acidental (BRASIL, 2005). 

Figura 3 e 4: Aedes aegypti transmissor da FAU e Haemagogus janthinomys transmissor da FAS. 


O vetor da febre amarela urbana é o mosquito Aedes aegypti. Nesse mosquito o período de incubação é de 8 - 15 dias, variável de acordo com a temperatura ambiente. O mosquito é infectante durante toda sua vida (6 -8 semanas), o vírus se transmite de forma transovariana em suas gerações. Isso torna-se o verdadeiro reservatório, e faz menos importante a existência de outras fontes do vírus. Os transmissores selvagens também transmitem o vírus de forma transovariana (RODRIGUES, 2003). A transmissão do vírus pelos vetores ocorre basicamente nas bacias Amazônica e do Congo, localizadas respectivamente na América e África intertropical. É transmitida em natureza por dípteros (insetos) hematófagos da família Culicidae, principalmente os pertencentes aos gêneros Aedes (vetor urbano), Haemagogus e Sabethes (vetores silvestres), cuja distribuição é limitada pela altitude, e são encontrados em abundância em cidades e zonas rurais. Considerada a maior floresta tropical do mundo e uma das mais ricas em diversidade de espécies a Amazônia abriga entre outros grupos um elevado número de espécies de dípteros hematófagos e vertebrados silvestres, propiciando condições ambientais favoráveis à manutenção de diversos grupos de vírus (FÉ, 2003).



Prevenir os mosquitos da transmissão da febre amarela silvestre é impossível porque são seres silvestres. O risco de introdução da febre amarela urbana pode ser reduzido com o controle do Aedes aegypti, o mosquito transmissor prolifera em qualquer local onde se acumule água parada, como caixas d’água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro e vasos de planta (BRASIL, 2009). Os mosquitos que transmitem a FAS (Haemagogus janthinomys, Sabethes) têm hábitos diurnos e vivem nas copas das árvores, onde habitam os hospedeiros, descendo às vezes ao solo na presença do homem ou quando a quantidade de macacos é pequena. Esta atividade é estimulada pelo crescente processo de desmatamento.


Em função da posição central que os macacos ocupam no ciclo silvestre, estes não podem ser considerados como reservatórios do vírus, mas como hospedeiros, embora desempenhem o duplo papel de amplificadores e disseminadores da infecção (BRASIL, 1999). Os mosquitos vetores, o urbano Aedes aegypti e os silvestres Haemagogus (várias espécies) e outros, têm hábitos diurnos, o que quer dizer que exercem a hematofagia durante as horas luminosas do dia (FORATTINI, 1999).


Hospedeiros:


 Na forma silvestre, os primatas não humanos são os principais hospedeiros do vírus amarílico, principalmente os macacos pertencentes ao gênero Cebus (macaco prego), Alouatta (bugio), Ateles (macaco aranha), Callithrix (sagüi) e Saimiri (macaco de cheiro). Os macacos Alouatta, assim como os Callithrix e Ateles, são muito sensíveis ao vírus e apresentam taxa de letalidade elevada. Já os Cebus infectam-se facilmente, mas apresentam baixas taxas de letalidade e geralmente desenvolvem imunidade (BRASIL, 1999). Diversos mamíferos também são suscetíveis à doença, destacando-se os marsupiais e alguns roedores que funcionam possivelmente como reservatórios do vírus na natureza.



Inquéritos sorológicos em áreas endêmicas e estudos durante epidemias têm mostrado a participação do gambá, porco espinho e do morcego no ciclo silvestre da doença. Contudo, a importância epidemiológica destes animais na manutenção da doença ainda não é conhecida. Na forma urbana, o homem se constitui no único hospedeiro. Os animais domésticos não parecem ser suscetíveis ao vírus amarílico. A infecção experimental destes animais mostra baixo nível de suscetibilidade, embora os cães desenvolvam resposta febril após inoculação periférica (BRASIL, 1999). Os primatas não-humanos neotropicais, primatas do Novo Mundo ou Platyrrhini têm características distintas das apresentadas pelos primatas do Velho Mundo ou Catarrhini. Os Platyrrhini possuem as narinas voltadas para os lados, num nariz achatado e focinho relativamente curto. São totalmente arborícolas, raramente descem ao chão. Alguns gêneros possuem a notável capacidade de preensibilidade da cauda (Alouatta, Ateles, Lagothrix e Brachyteles). Apresentam grande variação de volume corpóreo, o que é reconhecido como o mais forte indicador das adaptações fisiológicas, ecológicas e comportamentais que um animal possa apresentar. Todos os gêneros de macacos do Novo Mundo são susceptíveis ao vírus da febre amarela e podem, portanto, atuar como hospedeiros desta arbovirose, pois são basicamente arborícolas e habitam o mesmo extrato arbóreo que o mosquito vetor. Os gêneros que mais têm sido associados com a ocorrência de epizootias no Brasil são Alouatta, Cebus e Callithrix (BRASIL, 2005).


Modo de transmissão e Período de incubação Modo de transmissão: Nas zonas urbanas e em alguns aglomerados rurais a transmissão é pela picada do Aedes aegypti infectado e nas selvas da América do Sul, pela picada de mosquitos silvestres, tais como: Haemagogus janthinomys, Haemagogus albomaculatus, Haemagogus leucocelaenus e Sabethes chlopterus (BRASIL, 2009 - FORATTINI, 1999). A transmissão se dá pela picada do mosquito infectado pelo vírus. Na forma urbana, o ciclo se dá pelo mosquito picando o homem infectado, tornando-se infectante e depois picando pessoas sadias e transmitindo a doença (BRASIL, 2009).



No ciclo silvestre da doença, há uma transmissão entre primatas não humanos e mosquitos silvestres. Quando o homem penetra nesse ambiente, pode ser picado e contrair a doença . O período de transmissibilidade é o período em que o vírus está presente no sangue, também chamado período de viremia. Este período começa um pouco antes do aparecimento dos sintomas e vai até o 3° ou 4° dia da doença (BRASIL, 2009). 



A doença é transmitida do macaco ao homem através da picada de mosquito do gênero Haemagogus e do Aedes, que ao picarem o animal doente (macaco), se contaminam com o vírus, repassando-o ao homem. Esse tipo de transmissão ocorre principalmente nas áreas de florestas úmidas, mas pode também ocorrer na periferia das cidades. No meio urbano, o mosquito Aedes aegypti, é o responsável pela transmissão da doença homem a homem (BRASIL, 1988 - ACHA, 2003 - RODRIGUEZ, 2003). A fêmea do mosquito pica a pessoa infectada, mantém o vírus na saliva e o retransmite. 


Não há relatos de transmissão intra humanos, não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento (BRASIL, 2009).



 Controle vetorial 


Evitar o acesso de mosquitos transmissores urbanos ou silvestres ao doente, mediante utilização de tela no seu local de permanência, pois ele pode se constituir em fonte de infecção. 


Adotar ações emergenciais de eliminação do Ae. aegypti, principalmente no ambiente onde os casos estão internados. 


Fortalecer as ações de combate vetorial nos municípios situados próximos as áreas de transmissão, visando reduzir os índices de infestação para zero. 


Estratégias de prevenção da reurbanização da febre amarela 


Induzir a manutenção de altas taxas de cobertura vacinal em áreas infestadas por A. aegypti nas áreas com recomendação de vacina no país. 


Orientar o uso de proteção individual contra picadas de insetos das pessoas que vivem ou adentram áreas enzoóticas ou epizoóticas. 


Eliminar o A. aegypti em cada território ou manter os índices de infestação muito próximos de zero. 


Isolar os casos suspeitos durante o período de viremia, em áreas infestadas pelo A. aegypti. 


Realizar identificação oportuna de casos para pronta intervenção da vigilância epidemiológica. 


Implementar a vigilância laboratorial das enfermidades que fazem diagnóstico diferencial com febre amarela. 


Implementar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras: recomenda-se solicitar apresentação do certificado internacional de vacinação, com menos de dez anos da ultima dose aplicada para viajantes procedentes de países ou áreas endêmicas de febre amarela.


Editado pelo Blog Alagoas real
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Do original e o blog ALAGOAS REAL
Fontes:

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008000300001&lang=pt
http://www.saude.sp.gov.br/
https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2017/01/Informativo_Febre_Amarela_Profissionais_de_saude.pdf
http://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/algm.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101999000600002&lang=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822003000300005&lang=pt
https://www.abc.org.br/IMG/pdf/doc-199.pdf



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