4/01/2017

SBP : Vacina contra Febre Amarela - O que é verdade e o que é mentira

Vacina contra Febre Amarela - O que é verdade e o que é mentira : Sociedade Brasileira de Pediatria

Vacina contra Febre Amarela em crianças


Para ajudar a esclarecer a população em geral, a Sociedade Brasileira de Pediatria selecionou as principais afirmações sobre a vacina e explicou, de forma simples e fácil de entender, o que é verdade e o que é mentira. Confira:

Para evitar a doença é necessário tomar a vacina.Verdade. A vacina é a única forma de prevenção eficaz contra a febre amarela. 


Devem tomar a vacina pessoas que vivem em áreas com recomendação, para as que se deslocam para essas áreas (tomar a vacina com 10 dias de antecedência) ou que viajam para países que exigem a vacinação para entrada no país (Regulamento Sanitário Internacional).
Verdade. As doses deverão ser tomadas por pessoas que estão com o esquema de vacinação incompleto, ou seja, que não tomaram as duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde. Para adultos que tomaram a primeira dose há menos de 10 anos, também não há necessidade de adiantar a dose de reforço. A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas não precisa buscar a vacinação neste momento. 

A criança a partir dos 6 meses de idade pode tomar a vacina. Abaixo dessa idade não é recomendada. 
Verdade. O bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos por febre amarela e em áreas em que há casos confirmados de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.

Crianças menores de 2 anos não devem receber simultaneamente as vacinas febre amarela e tríplice viral. Deve-se respeitar o intervalo mínimo de 30 dias. 

Verdade. Há interferência na resposta imune. Se a criança tiver alguma dose do Calendário Nacional de Vacinação em atraso, ela pode tomar junto com a febre amarela, com exceção da vacina tríplice viral ou tetra viral. A criança que não recebeu a vacina para febre amarela nem a tríplice viral ou tetra viral e for atualizar a situação vacinal, a orientação é receber a dose de febre amarela e agendar a proteção com a tríplice viral ou tetra viral para 30 dias depois. 

Mulheres em idade fértil vacinadas devem ser orientadas a não engravidar nos 30 dias seguintes à vacinação. 
Verdade. Trata-se de uma recomendação por precaução. 

Mulheres que estão amamentando não devem receber a vacina até a criança completar 6 meses de vida. 
Verdade. Há possibilidade de transmissão do vírus vacinal pelo leite materno. Em caso de extrema necessidade de vacinação da nutriz, a amamentação deve ser suspensa por, no mínimo, 15 dias, sendo o ideal por 28 dias. Nesse período, a ordenha é fundamental para a manutenção do aleitamento materno, porém o leite ordenhado no período pós-vacinação não deve ser oferecido à criança. Recomenda-se que antes da vacinação, sempre que possível, a mulher ordenhe o seu leite e o conserve congelado por até 15 dias, podendo ser oferecido à criança no período em que ela não poderá mamar. 

A vacina é válida por dez anos e possui 95% de eficácia. 
Verdade. A vacina que utilizamos é derivada da cepa 17D, composta de vírus vacinal amarílico vivo atenuado, cultivado em ovo de galinha. Trata-se de uma vacina de aplicação subcutânea e segura. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida. 

A vacina contra febre amarela pode causar efeitos adversos. 
Verdade. Dor, eritema, enduração, febre, mialgia, cefaleia. Esses são os eventos adversos mais comuns a essa vacina. Entre as reações menos comuns, estão: hipotensão, choque, manifestações respiratórias e cutâneas, confusão mental, letargia, ataxia, afasia, parasia, sinais meníngeos, Síndrome íctero-hemorrágica são os eventos adversos da vacina da febre amarela.

Há pessoas para quem a vacina é contraindicada. 
Verdade. A vacina é contraindicada a pacientes com: imunodeficiência primária ou adquirida; imunossupressão secundária à doença ou terapias imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas; em uso de medicações antimetabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença; transplantados e com doença oncológica em quimioterapia; que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina; reação alérgica grave ao ovo e com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma). 

O médico pode orientar sobre a suspensão de medicação, em caso de criança que esteja tomando remédios e vá ser vacinada. 
Verdade. Cada caso deverá ser analisado pelo médico assistente. Pacientes com doenças crônicas devem ter autorização do médico assistente para liberar a tomar a vacina, justamente por conta do uso de medicamentos que podem deprimir o sistema imunológico e essas pessoas podem ter contraindicação à vacinação. 

Se a criança tiver alguma reação após tomar a vacina, é preciso levar ao médico. 
Verdade. A vacina contra a febre amarela, assim como todas as outras vacinas, tem eventos adversos, que em geral são eventos brandos. É necessário procurar orientação médica, que irá avaliar cada caso de forma individual. 

Pessoas com Lúpus, doença de Addison, artrite reumatoide, e outras doenças autoimunes relacionadas à tireoide e ao aparelho gastrointestinal, devem ser avaliadas pelo serviço de saúde antes da vacinação. 
Verdade. É necessário procurar orientação médica, que irá avaliar cada caso de forma individual. 

É preciso tomar a vacina em jejum. 
Mito. Não há restrição. A criança pode tomar a vacina em jejum ou após a alimentada.

O calendário de vacinação das crianças sofreu alteração e passou a incluir a vacina de febre amarela.
Mito. O Brasil já vacina contra a febre amarela há muitos anos. O que mudou foi a recomendação da segunda dose aos 9 meses e aos 4 anos, mas não mudou por conta do surto e sim pela recomendação feita pela OMS de ser dose única e o Brasil, acertadamente, optar pelo sistema de duas doses. Ou seja, não se faz mais de dez em dez anos, serão duas doses na vida da criança: aos 9 meses e aos 4 anos, a fim de obter uma melhor resposta imunológica.

É preciso vacinar contra a febre amarela a cada 10 anos.
Mito. Não se faz mais de 10 em 10 anos. Serão duas doses na vida da criança: aos 9 meses e aos 4 anos, a fim de obter uma melhor resposta imunológica. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil pelo Ministério da Saúde, é segura e garante proteção durante toda a vida.

Mesmo tendo tomado as duas doses é preciso tomar uma nova dose de reforço. 
Mito. Não é necessária outra dose de reforço se já tiver tomado as duas recomendadas pelo Ministério da Saúde. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

Quem tomar mais de duas doses da vacina ficará mais protegido. 
Mito. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

A febre amarela é uma doença contagiosa e pode passar de uma pessoa para outra. 
Mito. A febre amarela silvestre é transmitida pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus (febre amarela - ciclo silvestre)ou pelo Aedes (febre amarela - ciclo urbano), que também transmite a dengue, zika e chikungunya.O Aedes é capaz de transmitir, com menor competência, a febre amarela de um ser humano para outro. Este ciclo já não ocorre no Brasil desde 1942.

A febre amarela silvestre é transmitida pelo Aedes aegypti. 
Mito. A febre amarela silvestre é transmitida pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus, sendo que esse último pode também transmitir o vírus para sua descendência.

Macacos e outros animais transmitem a febre amarela. 
Mito. Primatas não humanos, especialmente macacos, são os principais reservatórios do vírus, e são infectados pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus. Cabe ressaltar que a única forma de transmissão da doença, seja em humanos ou animais é por meio da picada de mosquito.

Grávidas e mulheres amamentando bebês com menos de 6 meses devem tomar a vacina contra a febre amarela. 

Mito. Esse grupo, em princípio, NÃO deve tomar a vacina, pois há possibilidade de transmissão do vírus vacinal durante a gravidez e pelo leite materno. Em caso de extrema necessidade de vacinação da nutriz, a amamentação deve ser suspensa por, no mínimo, 15 dias, sendo o ideal por 28 dias. Nesse período, a ordenha é fundamental para a manutenção do aleitamento materno, porém o leite ordenhado no período pós-vacinação não deve ser oferecido à criança. Recomenda-se que antes da vacinação, sempre que possível, a mulher ordenhe seu leite e o conserve congelado por até 15 dias, podendo ser oferecido à criança no período em que ela não poderá mamar. Na gestante deve ser avaliado o risco e o benefício da vacinação.

Idosos acima de 60 anos podem se vacinar. 
Mito. Apesar de a vacina poder ser aplicada, em teoria, em qualquer idade, em indivíduos com mais de 60 anos, pelo maior risco de eventos adversos graves, especialmente na primovacinação (como a Doença Viscerotrópica aguda pós-vacina), devem ser avaliados individualmente em relação ao risco de aquisição da doença.


FONTE:
A entidade também lançou o documento Febre Amarela: nota informativa, produzido pelo Departamento Científico de Imunizações da SBP, que pode ser acessado na íntegra AQUI.

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