sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Serra Leoa inicia 3 dias de confinamento obrigatório para conter o vírus Ebola



O Governo da Serra Leoa impôs hoje um toque de recolher que obriga os cidadãos a permanecerem em casa nos próximos três dias, para tentar deter a propagação do vírus Ebola, que já fez 562 mortos no país.
(Reuters/Arquivo)



Durante o recolher obrigatório, que estará em vigor até domingo, cerca de 30.000 voluntários andarão de casa em casa para identificar as pessoas doentes, distribuir 1,5 milhões de sabonetes e informar a população sobre as medidas para prevenir o Ebola, explicou o Governo em comunicado. 


As autoridades esperam poder diagnosticar centenas de novos casos, já que muitos doentes com Ebola não se deslocaram a hospitais por medo do escárnio público, uma atitude que está dificultando a contenção do vírus. 


A imposição de um recolher obrigatório foi criticada por algumas organizações internacionais e alguns cidadãos, mas até agora não se registou qualquer incidente. 


A organização Médicos Sem Fronteiras também criticou esta medida governamental, argumentando que "as clausuras e as quarentenas não ajudam a controlar o Ebola- o único resultado é minar a confiança entre os cidadãos e os responsáveis da saúde pública". 


Para garantir o cumprimento desta "clausura" do país, um grande dispositivo policial patrulhará lugares estratégicos, precisou o Governo. 

A Serra Leoa, com 1.673 casos registados de infeção por Ebola, é o segundo país da África Ocidental onde se registaram casos, dos quais 562 morreram, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), datado de 14 de setembro. 
Lusa
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Guiné : Habitantes da vila de Womé matam equipe de educação sobre o ebola


A equipe buscava educar a população sobre os riscos do vírus ebola e foram mortos por habitantes da vila de Womé


Ebola no sul da Guiné-Conacri,


Corpos das vítimas foram encontrados na floresta.



Sete responsáveis locais e jornalistas da Guiné, desaparecidos terça-feira durante uma campanha de sensibilização sobre o vírus Ebola no sul da Guiné-Conacri, foram mortos por habitantes da vila de Womé, anunciou esta quinta-feira o Governo.



Os sete corpos foram encontrados naquela vila, que fica próxima de N´Zérékoré, a segunda maior cidade da Guiné, numa região de floresta, declarou à rádio o ministro da Comunicação guineense, Alhoussein Kaké Makanéra.



A maior parte dos habitantes de Womé fugiu da vila.

Lusa
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OMS aciona alerta vermelho para surto de Ebola

Vírus Ebola


A Organização Mundial de Saúde (OMS) deu novo sinal de alerta sobre os riscos do descontrole total do surto de Ebola a todos os países e seus governantes, em balanço divulgado no fechamento da primeira quinzena de setembro. Segundo a diretora-geral Margaret Chan, não há indicação de que a doença esteja perdendo força. Para piorar, faltam médicos e profissionais de saúde para enfrentar o drama vivido na África com o intuito de frear a proliferação do vírus.

Oficialmente, já foram registradas mais de 2.400 mortes pelo Ebola na África Ocidental. No total, 4.784 pessoas teriam sido infectadas pelo vírus até 12 de setembro. Entretanto, a própria OMS admite que os números reais devem ser bem maiores, pois há subnotificação e alguns governos escondem a extensão da tragédia por questões políticas internas, e até comerciais/turísticas.



A realidade é que se espalha mais rápido do que a capacidade de tratar. A OMS tem solicitado apoio internacional para o envio de médicos e profissionais da saúde em todo o mundo para combater a epidemia. Estima-se que sejam necessários de 500 a 600 médicos e pelo menos 1.000 ou mais agentes multiprofissionais. Também tem sido cobrado do Brasil mais ação para ajudar no combate ao Ebola.



Localmente, os serviços de saúde brasileiros estão em alerta para identificar pacientes que tiveram possível contato com o vírus. Nenhum dos casos apresentados até o momento preencheu os requisitos para ser considerado suspeito. Por enquanto, os cidadãos devem ficar tranqüilos, pois o risco da doença no país é muito baixo, uma vez que afeta vítimas, no momento, em um local restrito fora do Brasil, onde predominam aspectos culturais e de higiene que favorecem a disseminação do vírus. 



Embora o estado do Acre estivesse sob suspeita de ser uma porta de entrada do Ebola no país, após a confirmação de um paciente do Guiné com febre hemorrágica, a hipótese foi descartada pelo Ministério da Saúde. De qualquer forma, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) encaminhou uma equipe para a fronteira para avaliação das condições locais, diante dos receios e de possíveis riscos desta população.



Pelo mundo 

A Coalizão Internacional de Autoridades Reguladoras de Medicamentos (ICMRA, sigla em inglês), divulgou um comunicado, logo após a Conferência Internacional de Autoridades Reguladoras de Medicamentos, no Rio de Janeiro. De acordo com o texto, suas representações em todo o mundo se aliaram pela busca de soluções inovadoras que simplifiquem a avaliação e o acesso a potenciais novos medicamentos para o tratamento do Ebola.

Neste momento, diversos tratamentos experimentais estão em consideração pelas autoridades responsáveis para ajudar a conter a propagação do vírus. Entre eles, uma vacina desenvolvida pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e pela indústria farmacêutica. Testes da vacina em humanos começaram no início de setembro, nos Estados Unidos da América (EUA), e se estenderão para o Reino Unido e África. Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos conduzem experimentos que indicam que a imunidade pode durar, pelo menos, dez meses.



Em sua formulação, é usado um vírus de chimpanzé geneticamente modificado contendo componentes de duas espécies de Ebola-Zaire, que está em circulação na África Ocidental, e das espécies comuns encontradas no Sudão. Embora não se replique dentro do corpo, espera-se que o sistema imunológico reaja e desenvolva imunidade.



Contaminação 

A transmissão durante a assistência aos doentes ocorre quando os profissionais de saúde e os cuidadores não usam adequadamente os equipamentos de proteção individual (EPI). Assim, é importante seguir rigorosamente as precauções recomendadas pelo Centers for Diseases Control –CDC/Normas de Biossegurança, além dos cuidados usuais seguros para evitar possíveis exposições ao material infectado.

É necessário usar aventais, luvas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais; não reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, exceto quando desinfectados, assim como trocar as luvas quando há manuseio de um paciente para outro. 



Procedimentos invasivos podem expor as equipes multidisciplinares à infecção e requerem totais condições de segurança. Os pacientes infectados devem ser separados dos demais e de indivíduos saudáveis??, o máximo possível. Observa-se, entretanto, a dificuldade de manter os padrões adequados devido às condições existentes nos locais onde a doença ocorre, o que, sem dúvida, propicia a infecção entre profissionais de saúde.



O vírus Ebola morre facilmente pelo uso de sabão, água sanitária, sol ou ambientes secos. Sobrevive, por um curto período, em superfícies secas ou com raios solares.



Assim, é importante, estar alerta para sintomas que possam ser apresentados por pessoas procedentes de áreas de Ebola. Os sinais surgem após um período de incubação de 2 a 21 dias, como febre alta, fraqueza, dor muscular, cefaléia, dor de garganta, que poderão ser seguidos de vômitos, diarréia e irritações de pele. Em quadros mais avançados, há alterações hepáticas, renais e hemorragia interna/externa. 



Sylvia Lemos Hinrichsen
Coordenadora do Comitê Saúde do Viajante (Sociedade Brasileira de Infectologia)
Coordenadora da Disciplina de Biossegurança e Controle de Infecções Risco Sanitário Hospitalar (Universidade Federal de Pernambuco)
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