Dengue na ilha da Madeira

"Embora o surto seja considerado controlado, mantêm-se no terreno todas as atividades de monitorização clínica e vetorial, de vigilância e controle"

A Ilha da Madeira é a principal ilha (740,7 km²) do arquipélago da Madeira, situado no Oceano Atlântico a sudoeste da costa portuguesa, e que constitui conjuntamente com Porto Santo, as Ilhas Desertas e as Ilhas Selvagens a Região Autónoma da Madeira e o Arquipélago da Madeira. A capital da ilha e da região autónoma é a cidade do Funchal. A ilha da Madeira é de origem vulcânica, o seu clima é subtropical com extensa flora exótica, economicamente é amplamente voltada para o turismo. 


O número de casos de febre de dengue, detetados na ilha da Madeira, diminuiu para valores residuais, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS), que considera o surto controlado.


Na atualização mensal ao surto de dengue, disponibilizada no sítio da Internet da DGS, lê-se que a monitorização semanal da infeção pelo vírus dengue, na ilha da Madeira, permite verificar que, desde meados de novembro, o número de casos tem vindo a diminuir "para valores residuais", assinalando que, desde 04 de fevereiro último, não existe "nenhum caso confirmado laboratorialmente".


Segundo a DGS, desde o início do surto, a 03 de outubro de 2012, foram notificados 2.168 casos de febre de dengue na Madeira - mais quatro do que na informação disponibilizada o mês passado --, "a partir dos registos hospitalares e dos cuidados de saúde primários".


A DGS adianta, na mesma nota, relativa à situação a 03 de março, que "outros casos foram reportados, 11 no Continente e 70 em 13 países europeus, todos em viajantes regressados" da ilha, realçando que "não se registaram óbitos".


"A vigilância entomológica, utilizando armadilhas para ovos e formas adultas colocadas de forma dispersa na ilha, com ênfase na vertente sul, continua a revelar uma acentuada e progressiva diminuição da atividade vetorial", explica a DGS, sustentando que, "nesta data, de acordo com os dados disponíveis, tendo também em consideração a atividade vetorial atual, considera-se que o surto se encontra controlado".


Ainda assim, a DGS refere que se mantêm "todas as medidas de vigilância, controlo e resposta consideradas adequadas", assim como "as recomendações para proteção individual, através da prevenção das picadas de mosquitos".


A chefe da Unidade de Apoio às Emergências de Saúde Pública da Direção-Geral da Saúde, Cristina Santos, disse à agência Lusa que, "com os dados atuais, não é expectável o ressurgimento do surto a curto prazo".

"Embora o surto seja considerado controlado, mantêm-se no terreno todas as atividades de monitorização clínica e vetorial, de vigilância e controlo", reiterou, frisando que a DGS "continua a recomendar todas as medidas de proteção individual, nomeadamente o uso de repelente para prevenção das picadas de mosquito".

A DGS confirmou também que se encontra, desde segunda-feira, na Madeira, uma equipa do Centro Europeu de Prevenção e de Controlo das Doenças (CEPCD), numa segunda visita programada para colaborar na avaliação do trabalho desenvolvido no combate ao surto e na definição de prioridades a médio prazo.

O comissário europeu da Saúde e Defesa do Consumidor, Tonio Borg, respondeu, na semana passada, ao eurodeputado comunista João Ferreira, que questionou a Comissão sobre a situação do dengue na ilha, que a agência descentralizada da União Europeia para reforço dos meios de defesa perante as doenças infeciosas - o CEPCD - iria realizar uma segunda missão este mês, na ilha, que começou na segunda-feira, dia 11.

A 03 de outubro, o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira tornou pública a existência de dois casos confirmados de febre de dengue, cuja transmissão ocorre através da picada dos mosquitos "Aedes aegypti", quando infetados com o vírus, mosquitos que foram detetados na Madeira em 2005.
LUSA

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