O Evangelho Apócrifo de Judas Iscariotes



EVANGELHO DE JUDAS

Tradução de Urbano Zilles*

A tradução aqui apresentada do evangelho apócrifo de Judas funda-se na tradução alemã publicada na internet http://www.theology.de/judasevangelium.htm

A tradução alemã de Bernhard Liebert baseou-se na tradução inglesa do original copta, de Rodolphe Kasser,Marvin Meyer e Gregor Wurst.

Introdução

No dia 09 de abril de 2006, a National Geographic anunciou,num programa de duas horas, através de sua rede de televisões em Docu-specials, os resultados das pesquisas em torno do texto apócrifo do Evangelho de Judas. Mas qual o valor histórico do texto?

Cerca do ano 180 d.C., Ireneu de Lião citou um Evangelho de Judas, que chama de apócrifo (Adv. Haer. I, 31). Talvez seja o mesmo que, em 1978, foi descoberto no Egito. Este escrito tem sua origem no século II d.C., numa seita gnóstica. Para os gnósticos, a meta suprema é o conhecimento, em virtude do qual, segundo eles, a gente se pode redimir. Nessa perspectiva, o Evangelho de Judas é semelhante a outros Evangelhos apócrifos gnósticos, como, por exemplo,o de Tomé ou o evangelho gnóstico da Verdade.

S. Ireneu descobrira o escrito nas comunidades cristãs da Gália. Judas Iscariotes aparece, não tanto como traidor, mas como herói. A traição é interpretada como mistério da redenção. Depois do século VI, o texto desse Evangelho desaparecera.

Em 1978, descobriu-se um código de papiro, em cujo invólucro de couro consta o título em língua copta de um Evangelho de Judas. O documento foi reencontrado juntamente com outros escritos, perto da cidade El-Minya, no Médio Egito. Além do Evangelho de Judas, o invólucro também continha uma carta de Pedro a Filipe e um Apocalipse de Tiago, sendo os dois últimos já conhecidos, através dos manuscritos descobertos em Nag Hammadi. Esses manuscritos foram levados pelo Cairo, Genebra, Nova Iorque a Basiléia, Suíça, para a fundação de Arte Antiga. Do texto do Evangelho de Judas foi possível salvar 80%. Sob a orientação do Prof. Rodolphe Kasser, de Genebra, a tradução do texto foi publicada em 2006.

O atual manuscrito é atribuído a um “sacerdote de Judas” do século IV ou V. Trata-se de um Evangelho “cainita”. Os cainitas são uma pequena seita gnóstica, que, no século II, veneravam Caim e Judas. S. Ireneu de Lião escreveu: “Dizem que Judas, o traidor, sabia exatamente todas essas coisas e, por ser o único dos discípulos que conhecia a verdade, cumpriu o mistério da traição e que, por meio dele, foram destruídas todas as coisas celestes e terrestres. E apresentam, à confirmação, um escrito produzido por eles, que intitulam


A afirmação central desse Evangelho é que Judas foi o melhor amigo de Jesus, possuindo mais conhecimento que os outros discípulos. Por isso Jesus o teria encarregado de traí-lo por amor à salvação, pois, sem a traição, Jesus não teria sido crucificado e não teria podido ressuscitar. Judas teria perguntado a Jesus o que receberia em troca da traição. Jesus respondeu-lhe que, em troca, todo o mundo o odiaria para sempre e o condenaria, mas ele brilharia no céu como uma estrela especial.



O texto tende para uma inversão de todos os valores. Por isso Cristo diverte-se com a celebração da ceia eucarística da Igreja. Jesus critica os discípulos, zomba da Igreja e da fé mediada por ela.

Quem estudou um pouco o gnosticismo sabe que seus textos não estavam muito interessados em dados históricos. A linguagem evidencia a procedência gnóstica de um grupo de dissidentes cristãos.

Por isso os especialistas são reservados quanto ao valor histórico da obra. É comum, na literatura gnóstica, querer transformar todos os aspectos negativos da Bíblia em positivos. Em vista disso, é bem provável que a descoberta desse escrito gnóstico não acrescente nenhuma novidade histórica para o conhecimento da vida de Jesus e de seus discípulos. Quando muito, pode enriquecer nosso conhecimento sobre a gnose.

Não há dúvida, entre os especialistas, de que esse Evangelho foi escrito bem depois dos canônicos. Por expressar-se na terminologia gnóstica, também carece de relevância para a fé cristã, pois os escritos canônicos não permitem a interpretação de que Jesus teria pedido a Judas que o traísse. O texto é interessante enquanto apresenta mais material sobre as idéias gnósticas, no final do século II da era cristã. Em vista dessas informações, só resta concluir que o sensacionalismo, com que o texto está sendo anunciado pela mídia, obedece a interesses não-científicos.

A origem gnóstica é confirmada, não só pelo enfoque geral, mas através de termos característicos, como Barbelo, que designa um princípio fundamental gnóstico, Sophia, que é a personificação da sabedoria e o Eterno como sendo aquele que se criou a si mesmo. S. Ireneu de Lião, em Adversus Haereses, também se refere a uma seita gnóstica dos barbelonitas: “Alguns supõem um leão que nunca envelhece, onde está num espírito virginal, que chamam Barbelo, onde se encontra também um Pai inefável, que se quis manifestar a Barbelo” (I, 29, op. cit., p. 112). Aliás, em Adv. Haer. I, 29- 31, encontramos, não só termos, mas descrições gnósticas semelhantes às que encontramos no Evangelho de Judas.



O EVANGELHO SEGUNDO JUDAS

As palavras secretas da revelação que Jesus fez, durante uma semana, três dias antes de celebrar a festa da Páscoa, a Judas Iscariotes.

Quando Jesus apareceu na terra, realizou muitos milagres e sinais para salvar a humanidade. Desde então, enquanto alguns seguiram o caminho da retidão e outros pecaram, chamou os doze discípulos. Começou a falar com eles sobre os mistérios além do

mundo e do que aconteceria no fim. Muitas vezes apareceu a seus discípulos, não como ele mesmo, mas na forma de uma criança.

1 Diálogo de Jesus com seus discípulos

Certo dia, ele estava com seus discípulos na Judéia e encontrou- os piedosamente reunidos em torno da mesa. Quando se dirigiu a eles, que estavam reunidos, fazendo uma oração de ação de graças sobre o pão, riu. Os discípulos disseram-lhe: “Mestre, por que risos sobre nossa oração de ação de graças? Fizemos o que é certo”. Mas ele respondeu-lhes: “Não rio por causa de vós. Vós não fizestes isso por vossa própria vontade, mas para louvar vosso Deus. Eles disseram:

“Mestre, tu és (...) o filho de nosso Deus”. Jesus, porém, disse-lhes:

“Donde vós me conheceis? Em verdade, digo-vos que não há geração humana entre vós que me conhecerá”.

Quando seus discípulos ouviram isso, ficaram zangados e começaram a ficar furiosos, ameaçando-o em seus corações. Ao ver sua falta de compreensão, Jesus falou-lhes: “Por que essa notícia vos irrita? Vosso Deus, que está convosco, (...) (35) provocou vossa ira em vossas almas. Deixai cada um dentre vós, que é forte o suficiente, para produzir o homem perfeito dentre os homens e conduzilo ante minha face”. Todos disseram: “Nós temos a força”. Mas seu ânimo era muito fraco para enfrentá-lo, com exceção de Judas Iscariotes.

Ele foi capaz de colocar-se à sua frente, mas não conseguiu olhar em seus olhos e baixou sua cabeça. Judas falou a Jesus: “Eu sei quem tu és e donde vieste. Tu vens do reino eterno de Barbelo e sou indigno de pronunciar o nome daquele que te enviou”. Sabendo que Judas reproduzira algo sublime, Jesus faloulhe:

“Afasta-te dos outros e eu te revelarei os mistérios desse reino. Tu tens a possibilidade de chegar a esse reino, mas passarás grande sofrimento (36). Do contrário, algum outro terá que cumprir tua tarefa, para que os doze possam voltar a ser um com seu Deus”. Judas, porém, disse-lhe: “Quando tu me revelarás essas coisas? Quando irromperá o grande dia da luz sobre essa geração”? Mas, quando ele disse isso, Jesus desapareceu.

2 Jesus reaparece a seus discípulos


Na manhã seguinte, depois que isso acontecera, Jesus apareceu novamente diante de seus discípulos. Eles disseram-lhe:

“Mestre, para onde foste e o que fizeste durante tua ausência?” Jesus, porém, respondeu-lhes: “Fui a outra geração grandiosa e santa”.

Seus discípulos disseram-lhe: “Senhor, qual é essa geração grandiosa, que é superior a nós, que é mais santa que nós e que não é deste reino?”

Ao ouvir isso, Jesus riu e falou-lhes: “Por que vós pensais em vossos corações sobre aquela geração forte e santa? (37). Em verdade, eu vos digo que ninguém, que nasce neste mundo, verá aquela geração e nenhum exército de anjos das estrelas reinará sobre aquela geração e nenhum mortal poderá relacionar-se com aquela geração, pois aquela geração não procede de (...) que veio a ser (...). Esta geração dos homens, da qual fazeis parte, é da geração da humanidade (...) poder, que (...) outras forças (...) pelas quais dominais. Quando seus discípulos ouviram isso, cada um deles agitou-se em espírito. Não conseguiram falar sequer uma palavra. Algum outro dia, Jesus apareceu-lhes. Disseram-lhe: “Mestre, te vimos, numa visão, quando tivemos grandes sonhos (...)”.

Disseram: “Vimos uma grande casa e nela um grande altar, doze homens que chamaríamos sacerdotes e um nome; e uma multidão de homens esperava junto àquele altar (até) que os sacerdotes (...) e receberam as ofertas. Nós, contudo, continuamos esperando.

Jesus disse: “Como eram os sacerdotes?” Eles, porém, disseram:

“Alguns (...) duas semanas: (alguns) ofereciam seus próprios filhos; outros, suas esposas, em glória e humildade entre si; alguns dormiam com homens; outros estavam ocupados com lutas; alguns cometiam grande número de pecados e delitos contra a lei. E os homens, que estavam diante do altar, invocavam teu nome (39) e, em todos os atos de sua insuficiência, os sacrifícios foram conduzidos ao seu acabamento (...)”. Depois que disseram isso, calaram, pois estavam muito agitados. Jesus, porém, disse-lhes: “ Por que estais agitados?

Em verdade, eu vos digo, todos os sacerdotes, que estão de pé diante do altar, invocam meu nome. De novo, digo-vos que meu nome está escrito naquele (...) das gerações de estrelas, para todas as gerações humanas. E eles plantaram árvores, que não produziram frutos, em meu nome, de maneira vergonhosa”. Jesus, porém, disselhes:

“Aqueles que vistes receber as ofertas no altar são aqueles que vós sois. Este é o Deus a quem vós servis, e vós sois os doze homens que vistes. A multidão trazida para o sacrifício, que vós vistes, é a multidão de homens que desviastes do reto caminho (40) diante desse altar (...) estamos e meu nome é usado dessa maneira e gerações de piedosos lhe permanecerão fiéis (...) e depois lá estará outro homem dos prostitutos e outro dos assassinos de crianças e outro homem daqueles que dormiram com homens e aqueles que vivem abstêmios e o resto do povo impuro, transgressor das leis e dos delituosos e aqueles que dizem ‘nós somos como anjos’ são as estrelas que tudo levarão ao acabamento. Às gerações da humanidade foi dito: “Eis que Deus recebeu tua oferta das mãos de um sacerdote”

– que é um servo de delitos. Mas é o Senhor, o Senhor do Universo, quem fala: “No último dia, serão lançados na vergonha”

 Jesus disse-lhes: “Parai de oferecer (...) que tendes (...) sobre o altar, aqueles que estão acima de vossas estrelas e de vossos anjos e já chegaram ao seu acabamento lá. Assim deixai-os ser seduzidos diante de vós e deixai-os partir (faltam cerca de 15 linhas). Um padeiro não pode alimentar todos os seres (42) debaixo do céu. E (...)”. Jesus disse-lhes: “Deixai de lutar contra mim. Cada qual de vós tem sua própria estrela e cada (faltam cerca de 17 linhas) (...), mas ele deve vir para irrigar o paraíso de Deus e a geração, que permanecerá, uma vez que não maculará o curso da vida dessa geração, mas, (...) até toda eternidade”.

Judas disse-lhe: “Mestre, que tipo de frutos esta geração apresentará?” Jesus respondeu: “As almas de todas as gerações de homens morrerão. Quando esses homens cumprirem o tempo do reino e o espírito os abandonar, seus corpos morrerão, mas suas almas viverão e serão elevadas”. Judas disse: “E o que fará o resto das gerações humanas”? Jesus respondeu: “É impossível (44) semear sementes sobre uma rocha e colher seus frutos. Este é também o caminho (...) as gerações maculadas (...) e a sofia corruptível (...) a mão, que criou homens mortais de modo que suas almas subam aos reinos eternos. Em verdade, eu vos digo (...) anjos (...) o poder verá isso (...) aqueles a quem (...) gerações santas (...)”. Depois de dito isso, Jesus retirou-se daí.

3 Judas fala de uma visão

Judas disse: “Mestre, agora que ouviste a todos, ouve-me também a mim, pois eu tive uma visão grandiosa”. Ao ouvir isso, Jesus riu e disse-lhe: “Tu, décimo terceiro espírito, por que tentas sempre de novo? Mas fala, que agüentarei contigo”. Judas disselhe:

“Na visão vi-me a mim mesmo sendo apedrejado pelos doze discípulos (45) e me perseguiam seriamente. Cheguei ao lugar, onde (...) depois de ti. Eu vi uma casa (...) e meus olhos não conseguiram abranger sua grandeza. Grandes homens a cercavam, e a casa tinha um telhado de palha e no meio da casa havia uma multidão de gente (faltam 2 linhas), diziam: Mestre, leva-me com essa gente”.

Jesus respondeu, dizendo: “Judas, tua estrela te enganou”. E prosseguiu: “Nenhum mortal é digno de pisar na casa que tu viste, pois esse lugar é reservado aos santos. Lá não haverá sol, nem lua, nem dia, mas os santos lá permanecerão para sempre em glória eterna com os santos anjos. Vê eu te revelei os mistérios do reino (46) e te informei sobre o erro das estrelas e (...) mandei (...) para as doze idades”.

Judas disse: “Mestre, pode ser que minha semente seja controlada pelos governantes?” Jesus respondeu-lhe, dizendo: “Vê, eu (faltam 2 linhas), mas tu te afligirás muito, quando vires o reino e todas as suas gerações”. Quando ele ouviu isso, Judas disse-lhe:

“Para que é bom que eu receba isso? Que tu me escolheste dessa geração”? Jesus, porém, respondeu, dizendo: “Tu serás o décimo terceiro e serás amaldiçoado pelas gerações vindouras e virás para dominar sobre elas. Nos últimos dias, amaldiçoarão tua elevação  para a geração dos santos”.

Jesus disse: “Vem, para que eu te possa ensinar mistérios que antes nenhum homem alguma vez viu. Pois existe um reino grande, infinito, cuja extensão nenhuma geração de anjos já viu, no qual há um espírito grande e invisível, aquele nenhum olho de anjo jamais viu, nenhum pensamento do coração jamais o pôde compreender e nunca se o chamou por algum nome”.

E apareceu uma nuvem brilhante, e ele falou: “Cria um anjo como meu servo”. Um anjo grandioso, que irradiava a eternidade divina, saiu daquela nuvem. Através dele, surgiram mais outros quatro anjos de outra nuvem e tornaram-se servos do eterno celestial.

O eterno disse (48): “Deixa (...) surgir (...) e surgiu (...). E ele criou o primeiro astro para dominá-lo. Ele disse: “Cria anjos para servir-lhe”, e apareceram inúmeros coros de anjos. Ele disse: “Cria um mundo iluminado e foi criado”. Ele criou o segundo astro para dominá-lo, juntamente com inúmeros coros de anjos, que lhe ofereceram seus serviços. Dessa maneira também criou os outros mundos iluminados. Deixou-os dominar sobre eles e criou para eles coros incontáveis de anjos para ajudá-los.

“Adamas estava na primeira nuvem brilhante, que nenhum anjo jamais vira, entre os quais todos aqueles que são chamados ‘deus’. Ele (49) (...) o (...) a imagem (...) e segundo a forma desse anjo. Ele deixou aparecer a geração incorruptível de Seth (...) os doze (...) os quarenta e dois (...). Fez aparecer 72 astros naquela geração incorruptível, conforme a vontade do espírito. Os 72 astros, por sua vez, fizeram aparecer 360 astros, entre a geração incorruptível, segundo a vontade do espírito, de modo que o seu número correspondia a cinco para cada. Os doze mundos dos doze astros fundam seu Pai com seis céus para cada mundo, de modo que há 72 céus para os 72 astros e, para todos (50) eles, cinco firmamentos para um total de 360 firmamentos (...) foi-lhes dado o domínio e receberam um grande exército de anjos sem número, para honra e veneração e depois igualmente espíritos virgens, para honra e veneração de todos os mundos, dos céus e de seus firmamentos”.

“O grande número desses imortais chama-se cosmos – isto é corrupção – através do pai e dos 72 astros, que são com o eterno e seus 72 mundos. Nele apareceu o primeiro homem com suas forças incorruptíveis. E a idade que começou com essa geração, a idade, na qual há uma nuvem de saber e de anjos, é (51) (...) chamada (...) idade (...). Depois disse: “Cria doze anjos para dominar o caos e o mundo inferior”. E da nuvem surgiu um anjo, de cuja face cintilavam chamas e cuja aparição estava maculada com sangue. Seu nome era Nebro, que significa rebelde; outros o chamam Yaldabaoth.

Um outro anjo, Saklas, também saiu daquela nuvem. Nebro criou seis anjos, como também Saklas, para serem servos, e esses criaram doze anjos nos céus, dos quais cada qual recebeu parte do céu”.

Os doze senhores disseram aos doze anjos: “Deixem que cada um de vocês (52) (...) e deixem-nos (...) geração (falta uma linha) anjos. O primeiro é Seth, que é chamado Cristo. O segundo é Harmathoth, que (...). O terceiro é Galila. O quarto é Yobel. O quinto é Adonaios”. Esses são os cinco que reinarão sobre o mundo inferior e, antes de tudo, sobre o caos.

Então Saklas falou a seus anjos: “Façamos um ser humano segundo a forma e segundo a imagem”. Formaram Adão e sua mulher Eva, que na nuvem é chamada Zoé. Através desse nome, todas as gerações procuram o homem e cada um chama a mulher por este nome. Agora, porém, (...) Sakla (...) não fez (...) (53) comandar (...).

E o senhor disse a Adão: “Viverás uma vida longa com teus filhos”. Judas disse a Jesus: “Qual é a grande extensão do tempo na qual viverá o gênero humano”? Jesus respondeu: “Por que tu te ad914 miras do fato de Adão, com sua geração, ter vivido naquele lugar no qual recebeu seu reino em vida longa com seu senhor”?

Judas perguntou a Jesus: “Pode o espírito humano morrer”?

Jesus respondeu: “Esta é a razão pela qual Deus ordenou a Miguel dar aos homens seus espíritos como um empréstimo, de modo que o possam servir, mas o Grandioso ordenou a Gabriel conceder espíritos à grande geração que não tem Senhor acima de si – isto é, o espírito e a alma”. Além disso, o resto das almas (54) (falta uma linha).

“(...) Luz (faltam cerca de duas linhas) para (...) deixa (...) espírito, o qual habita em ti, nesta carne no meio das gerações de anjos. Mas Deus propiciou que a Adão e àqueles que estavam com ele fosse concedido saber (conhecimento), assim que os reis do caos e do mundo inferior não pudessem mandar sobre eles”. Judas disse a Jesus:

“Então o que esta geração fará”? Jesus respondeu: “Em verdade, eu vos digo, para cada um deles suas oportunidades são conduzidas ao fim pelas estrelas. Quando Saklas terminar o tempo determinado para ele, aparecerá sua primeira estrela, com as gerações, e completarão o que prometeram. Depois viverão de maneira desregrada, em meu nome, e matarão seus filhos (55) e (faltam 6 linhas) tua estrela sobre a décima terceira idade”. Depois disso, Jesus riu. Judas disse: “Mestre, por que ris”? Jesus respondeu, dizendo: “Não rio por causa de vós, mas dos erros das estrelas, pois essas seis estrelas vagam com esses cinco adversários e todos perecerão juntos com suas criaturas”. Judas disse a Jesus: “O que aqueles que foram batizados farão em teu nome”? Jesus disse: “Em verdade, eu te digo, este batismo (56) (...) meu nome (faltam 9 linhas). Em verdade eu te digo, Judas, esses que oferecem sacrifícios a Saklas (...) Deus (faltam 3 linhas) todo mal. Mas tu superarás todos. Para ti ofertará o homem que me veste.Já foi elevado teu Hom,Teu Zom foi desenvolvido, Tua estrela mostrou-se brilhante E teu coração (...) (57).

Em verdade (faltam cerca de 5 linhas), o Senhor, pois ele será aniquilado. Então a imagem da grande geração de Adão será elevada, acima dos céus, da terra e dos anjos, pois aquela geração, oriunda do reino eterno, existe. Vê, tudo te foi dito. Levanta teu rostoe olha para a nuvem e para a luz dentro dela e as estrelas que a cercam. A estrela, que a conduz no caminho, é tua estrela”. Judas levantou seu rosto e viu a nuvem brilhante e entrounela. Aqueles que estavam de pé na terra ouviram uma voz procedente da nuvem que disse (58) (...) grandiosa geração (...) (faltam cerca de 5 linhas). (...) seus sumos sacerdotes, sussurravam, já que ele se dirigira ao quarto do hóspede, para rezar. Mas alguns doutores da lei, que lá se encontravam, observavam-no cuidadosamente, para prendê- lo durante sua oração, uma vez que temiam fazê-lo diante do povo, pois todos o consideravam um profeta. Dirigiram-se a Judas, dizendo- lhe: “O que tu fazes aqui? Tu és um discípulo de Jesus”. Mas Judas respondeu-lhes como desejavam. E ele recebeu um pouco de dinheiro, e por isso entregou-o a eles

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