Surto de tuberculose em penitenciária de Mato Grosso e hepatite A em escolares no estado de Pernambuco

Tuberculose

Agentes prisionais e reeducandos da Penitenciária Central do Estado (PCE enfrentam um surto de tuberculose na unidade prisional. Para tentar conter o problema, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) tem realizado um mutirão, inócuo na opinião do representante dos servidores.

Entre as dificuldades que impedem o sucesso do programa estariam a superlotação, que impede o isolamento de casos confirmados e a dificuldade em ministrar o medicamento, diariamente, aos presos que apresentam o problema.

Presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais de Mato Grosso (Sindipen/MT), João Batista afirma que o problema é crônico e ocorre há pelo menos um ano. “Está completamente fora de controle. Só de cabeça lembro de 3 servidores que contraíram a doença na unidade, o que é muito grave, sem contar os presos”.

Para ele, embora haja o anúncio de um mutirão e a realização de exames semanais nos presos, as dificuldades existentes impedem a erradicação do problema. “É um ambiente insalubre e superlotado. Não dá, de jeito nenhum, para isolar os presos que têm a doença, o que seria fundamental nos 15 primeiros dias. Aí eles passam entre eles, para os agentes e os familiares e o surto está garantido”.

Além da dificuldade em garantir o isolamento, uma característica do tratamento impede a cura e o controle da endemia, a forma como o medicamento é ministrado. “O agente de Saúde tem que ir diariamente nas celas e passar o remédio ao preso”.

Segundo um agente prisional que atua na PCE, o procedimento tem que ser feito desta forma porque se os presos receberem o número de comprimidos necessário para os 15 dias iniciais, fase em que há o contágio, comercializam o remédio, misturam a bebidas alcoólicas e não o utilizam.

Hepatite A

Texto Editado

Em meio a um surto de hepatite, a cidade de Manari, no Sertão Pernambucano, é 1 dos 6 municípios com piores índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) do país que não aderiu ao programa Mais Médicos, do governo federal, segundo cruzamento de dados feito pelo G1.

Com 18.000 habitantes, a cidade tem o pior IDH de Pernambuco. O G1 foi até o município, onde encontrou postos de saúde onde não há médicos todos os dias, informações de mortes de crianças até um
ano de idade e uma escola onde 14 crianças haviam contraído (quando?) hepatite A.

Em Cercadinho, 14 crianças foram infectadas (possivelmente 14 foram aquelas que adoeceram e foram notificadas; outras tantas podem ter se infectado e permaneceram assintomáticas ) por hepatite A na Escola Municipal Nilo Coelho, perto da unidade de saúde local. A doença é transmitida pela água e por alimentos contaminados.

Uma das suspeitas era de que a água da cisterna da escola estaria contaminada. Segundo José Damião da Silva, assistente administrativo da escola, a água é tratada com cloro, coada e fica no freezer durante um dia antes de ir para o bebedouro. "Temos o maior cuidado com a água das crianças. Se tiver problema é com a Compesa",afirmou.

Por meio de nota, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) informa que faz análises da água semanalmente e não tem conhecimento do fato, mas que uma equipe deverá averiguar a situação do local.

A coordenadora interina da Atenção Básica de Saúde de Manari, Marília Carla de Oliveira Martins, afirma que está acompanhando o quadro de perto e diz que a Vigilância Sanitária foi informada.

O resultado dos testes, segundo a Secretaria Municipal de Saúde,indica que a água da escola não foi infectada e que o vírus está no reservatório de uma casa do povoado. Mais testes serão realizados em outros pontos, informou o órgão.


Comentário ProMED-PORT International Society for Infectious Diseases
http://www.isid.org


A intenção aqui não é discutir o surto de hepatite A e a adesão, ou não, ao programa Mais Médicos do Ministério da Saúde. A questão deveria ser que, além de médicos, é necessário melhorias de saneamento básico, acesso à vacina, melhor IDH...

Vamos ao surto:
Quando foi detectado/notificado o primeiro caso? E o último? Houve bloqueio vacinal?

A surtos de hepatite A continuam, ano após ano, a ocorrer. Além disso, se observa um aumento da incidência entre adultos jovens, o que eleva significativamente o risco de formas graves, notadamente da hepatite fulminante.

A longo prazo, a melhoria das condições sanitárias se constitui medida fundamental para o controle não apenas da hepatite A, mas de várias outras doenças de transmissão hídrica. Entretanto, a introdução da vacinação contra hepatite A no calendário, a curto prazo, poderia reduzir significativamente a incidência da doença, o número de surtos e o risco de formas graves, incluindo formas fulminantes.

Lembrando que em situações de surto a utilização da vacina figura como medida efetiva de prevenção e controle:
- Selnikova O e col. Hepatitis A vaccination effectiveness during an outbreak in the Ukraine. Vaccine. 2008 Jun 13;26(25):3135-7.
- Shen YG e col. Protective effect of inactivated hepatitis A vaccine against the outbreak of hepatitis A in an open rural community. World J Gastroenterol. 2008 May 7 ;14(17):2771-5.
- Belmaker I e col. Elimination of hepatitis a infection outbreaks in day care and school settings in southern Israel after introduction of the national universal toddler hepatitis a immunization program.
Pediatr Infect Dis J. 2007 Jan;26(1):36-40.
- Bonanni P e col. Vaccination against hepatitis A during outbreaks starting in schools: what can we learn from experiences in central Italy? Vaccine. 2005 Mar 18 ; 23 17-18):2176-80.
- D'Argenio P e col. The role of vaccine in controlling hepatitis A epidemics. Vaccine. 2003 Jun 2;21(19-20):2246-9.
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- Zamir C e col. Control of a community-wide outbreak of hepatitis A by mass vaccination with inactivated hepatitis A vaccine. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2001 Mar;20(3):185-7.
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