Estamos sem Médicos em Cuba - por Leonardo Calvo Cardenas


Nesses dias renasceu a polêmica por causa do novo contingente de médicos que o governo cubano tem exportado para o Brasil a partir de um contrato com as autoridades desse país, apoiado pela Organização Pan Americana de Saúde, OPAS. Quatro mil médicos de Cuba já chegaram ao Brasil para trabalhar em diferentes locais, com o objetivo de atenuar a escassez de profissionais da área médica que padece o sistema de saúde brasileiro. 

Consultório Médico de Alamar abandonado por falta de médicos

Este novo contingente se agrega às dezenas de milhares de médicos cubanos espalhados por todo o mundo - vinte e cinco mil somente na Venezuela. No meio de um colapso econômico que vive a ilha ,a exportação de médicos se converteu em importante fonte de receita para o governo de Havana. Enquanto isso, profissionais e técnicos de saúde cubanos veem essas saídas como a única forma de deixar para trás por um tempo as más condições de trabalho e salários muito baixos em nossos hospitais que estão em ruínas, mesmo que isso signifique o abandono de suas famílias e pacientes. 


O Impacto na mídia têm gerado várias críticas por parte de setores profissionais brasileiros que questionam a manipulação de que são vítimas e a interferência em seu local de trabalho, além das alegadas incapacidades profissionais que imputam aos médicos vindo da Ilha 


O governo brasileiro vai pagar as autoridades cubanas por esta mão de obra qualificada e os médicos cubanos receberão uma fração desses pagamentos, que é muito mais do que ganham trabalhando em Cuba. Infelizmente, o governo cubano aluga os médicos como se fossem servos ou equipamentos pesados ​​e aproveita para alimentar a sua imagem como um campeão de solidariedade e de cooperação Mundial. 

Além dos conflitos éticos e profissionais que gera tudo isso, seria conveniente analisar as consequências para o povo cubano e ao sistema de saúde da ilha diante do acordo. 


Em Primeiro lugar, temos que imaginar o que significa remover trinta mil médicos e um número considerável de enfermeiros e técnicos do sistema de saúde nacional-uma simples operação de aritmética nos daria a visão de quantos profissionais e técnicos foram retirados dos 169 municípios do país. Só com esta última "onda de solidariedade", cada município da ilha perdeu vinte médicos. 


As conseqüências dessa lucrativa selvageria solidária do governo de Raúl Castro é o sofrimento dos pacientes cubanos que devem esperar muito tempo por uma consulta especializada ou por uma cirurgia. Durante os primeiros anos de cooperação médica com a Venezuela Chavista, as clínicas odontológicas em vários locais do país foram praticamente mudadas para os povoados e aldeias do novo aliado sul-americano.


Consultorio médico abandonado em San Miguel de Padrón,  Havana.


No Citado  sistema de cuidados de saúde primários, os pacientes enfrentam enormes dificuldades para serem adequadamente tratados. Para resolver a falta de médicos exportados nos últimos anos, as autoridades cubanas tem inserido nas estruturas de saúde uma quantidade considerável de médicos latino-americanos recém graduados que em muitos casos não têm os conhecimentos necessários para cobrir os espaços vagos. 


Enquanto o governo cubano tem construído dezenas de hospitais modernos em pequenas populações da Bolívia, muitos municípios e cidades daqui faltam instalações adequadas e de cobertura de saúde. Muitos cubanos devem superar as deficiências e as dificuldades impostas pelos problemas no transporte e comunicação para buscar nas cidades os cuidados médicos especializados que necessitam. 


Basta o exemplo do município de Güira Melena , onde, eventualmente, eu residia, com uma população de mais de trinta e cinco mil habitantes: carece de hospital e deve compartilhar com vários municípios o centro assistencial distante do outro quase 10 Km . No bairro capitalino onde eu moro atualmente não temos até mesmo uma Policlínica e são várias noites que passamos em total desamparo. 

Os Médicos, enfermeiros e técnicos que estão na retaguarda da "solidariedade", que rende tão bons dividendos aos ricos governantes ( esses desfrutam de exclusivos,modernos e luxuosos centros de saúde ), devem enfrentar a sobrecarga de trabalho em condições desumanas, e na certeza de ser, os médicos mais mal pagos do planeta. 


O governo cubano continuará exportando pessoas com a lucrativa flâmula de seu altruísmo , sem se importar que sua "dádiva" gere polêmica ou gratidão .

Os profissionais de saúde continuam a enfrentar enormes dificuldades e traumas em seu trabalho diário, com a esperança de sair da ilha(Missões Médicas) para um lugar onde o seu trabalho seja melhor valorizado e remunerado, enquanto os pacientes cubanos que ficam na ilha recebem a pior parte desse sistema que parece ser a coisa gratuita mais cara da história....

Traduzido do original:
Nos quedamos sin médicos
Viernes, Octubre 4, 2013 | Por Leonardo Calvo Cardenas

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