Jornalismo ou fascismo?



Jornalismo ou fascismo? 1

Há um mês a imprensa está instalada no portão da minha casa, me fazendo de prisioneiro antes mesmo que o STF tenha expedido o mandado de prisão. Qual o interesse jornalístico nisso? Ao contrário do que dizem, não ataquei a imprensa, apenas pedi, e educadamente, que me deixem viver os meus últimos momentos de liberdade. Defensora da própria liberdade, a imprensa me faz cativo dentro de minha casa, tentando me impor pena difamante, me humilhando publicamente. Não se preocupem, eu não vou fugir ou me esconder, nem mesmo deixarei de mostrar as algemas. 




Jornalismo ou fascismo? 2

Sempre fui um ardoroso defensor da liberdade de imprensa; durante todo este mês de cerco, os jornalistas frequentaram as dependências da minha casa, até que me vi e à minha família cerceados nos nossos mínimos movimentos. Não vejo razão para isso, já que admiro a imprensa, devo muito a ela, admiro o trabalho desses profissionais, e jamais negarei qualquer informação. Aliás, é isso que tenho feito esses anos todos. Ontem, às 11h00 da noite, havia um câmera escondido em uma árvore captando imagens. Isso é jornalismo? Se vou à padaria, à casa de parentes ou caminhar, porque preciso fazer exercícios por recomendação médica, me seguem, me fotografam. Há fato jornalístico nisso ou é apenas mera perseguição? Jornalistas anotam a placa de carros de pessoas que me visitam, vão à agência de automóveis onde pessoas de minha família compram carros há mais de 20 anos. Quero lembrar que nada devo à Receita Federal, que já me inocentou. Se estão indo investigar as placas dos carros para descobrir alguma negociata, desistam. Espero tê-los em minha convivência de uma forma mais amigável. Fui condenado e já dei declarações resignadas em relação à pena que terei que cumprir, mas parecem querer apenas minha degradação. Jamais fui um dos queridinhos das Organizações Globo, até mesmo por isso não estranho que tenham corrido para dizer que eu os ataquei, e para distorcer minhas palavras e as de minha assessoria. Para tudo na vida há um limite, e para os grandes defensores da liberdade também deve haver um limite de atuação. Ou a imprensa pode tudo?

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