Governo esconde deserções de cubanos do Mais Médicos


As entidades médicas nacionais já foram notificadas do “sumiço” de pelo menos 27 médicos cubanos, que atuavam em diferentes estados brasileiros pelo programa federal Mais Médico e, simplesmente, abandonaram seus postos de trabalho e desapareceram. Até agora, o governo federal só admite as deserções de Ramona Matos Rodríguez, que fugiu de Pacajá (PA), e pediu refúgio em Brasília, e de Ortélio Jaime Guerra, que desapareceu da cidade de Pariquera-Açu (SP) e, só depois que chegou aos Estados Unidos, comunicou a deserção através de sua página no Facebook.

Oficialmente, o governo federal reconhece a “desistência” de apenas 22 intercambistas cubanos, que teriam pedido desligamento do programa para retornarem à Cuba, alegando motivos diversos como doenças, inadaptação, saudades da família, acidentes e até falta de condições de trabalho. Entre fujões e desistentes, muitos nunca chegaram a trabalhar, o que reforça a crença das entidades médicas brasileiras de que os médicos cubanos não são tão médicos quanto alegaram quando vieram para o Brasil. 

Estão sendo apurados casos de enfermeiros, agentes de saúde e pessoas sem nenhuma formação que chegaram ao Brasil com diplomas médicos grosseiramente fraudados, mas que foram avalizados pelo governo brasileiro quando da liberação do Revalida e emissão de autorização para que trabalhassem como médicos no programa eleitoreiro da dupla Rousseff-Padilha.

Desde o início do Mais Médicos, a população pobre vem sofrendo com erros grosseiros cometidos por médicos estrangeiros, que desconhecem o perfil epidemiológico do País, os medicamentos utilizados e ainda enfrentam a barreira do idioma, que já provocou sérios problemas. Com relação aos cubanos, a situação é mais grave devido à precariedade da formação. 

A ditadura cubana faz médicos para exportação, usando-os como fonte de renda em programas tipo o Mais Médicos, implantados em países como o Brasil, Venezuela, Bolívia. O curso de medicina em Cuba tem carga horária de 3.200 horas, oferecendo uma formação básica, praticamente um curso técnico. No Brasil, a carga horária da graduação é de 7.200 horas. Além disso, os médicos daqui sempre buscam complementar a formação com cursos de especialização, Residência Médica, etc.

Apesar dos escândalos que se sucedem no Mais Médicos, o governo ignora os problemas, as denúncias e as deserções. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, se encontrou na semana passada com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, e ouviu dele que as deserções devem ser tratadas como “casos isolados”. O objetivo é evitar um incidente diplomático com Cuba e, claro, preservar o Mais Médicos que é um dos principais pontos do programa eleitoral do PT.

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