Aedes pode ser transmissor do vírus da Febre Oropouche


Os arbovírus provocam doenças conhecidas como arboviroses, que podem ocorrer de forma endêmica ou epidêmica e alguns, como por exemplo, o Vírus Oropouche (VORO), Vírus da Dengue (VDEN), Vírus da Febre Amarela (VFA) e o Vírus Mayaro (VMAY), representam sérios problemas de saúde pública, pois, além de causarem epidemias, são responsáveis por considerável morbidade e/ou letalidade em seres humanos no Brasil e no exterior (VASCONCELOS et al., 1992). (4)






O maruim, mosquitinho-do-mangue, Ceratopogonidae ou mosquito-pólvora picador




Oropouche é um dos mais importantes arbovírus do Brasil, conhecido desde o início da década de 60, que é transmitido pelo mosquito pólvora ou maruim, ou ainda borrachudinho, originário da região amazônica, e o segundo mais frequente, que só perde para a dengue. Outros vetores também podem transmitir o oropouche, inclusive no gênero Aedes. (3)


Como os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos da dengue, isso acaba contribuindo para que os doentes sejam diagnosticados erroneamente. Por isso, ressaltou, a importância de se ter mais atenção ao vírus. Os principais sintomas da doença são: febre alta, calafrios, dor de cabeça muito forte, fotofobia e dor na região lombar.(2)


O vírus é transmitido por um inseto que mede menos de 3mm, conhecido como culicoides paraenses, porque foi descoberto por pesquisadores do Pará, região da Amazônia em que tem o maior número de casos, e popularmente é conhecido como meruim ou maruim. (2)



Na Amazônia Brasileira, a febre do Oropouche é considerada a mais freqüente arbovirose que acomete o homem depois da dengue, sendo caracterizada por episódios de doença febril aguda acompanhada principalmente por cefaléia, artralgia, mialgia, fotofobia e outras manifestações sistêmicas. Mais raramente, alguns pacientes podem apresentar um quadro de meningite asséptica com sinais e sintomas típicos de comprometimento das meninges. Interessante é que os sintomas da febre do Oropouche geralmente reaparecem poucos dias após o final do episódio febril inicial, no entanto são usualmente menos severos. Os pacientes acometidos pela febre do Oropouche se recuperam completamente e sem seqüelas, mesmo em casos mais severos. Até o momento, nenhum caso fatal foi registrado e/ou associado à febre do Oropouche. Uma das mais importantes características do vírus Oropouche (VORO) é a sua capacidade de causar epidemias em centros urbanos, das quais a maioria foi registrada na Amazônia Brasileira (Pinheiro et al., 1981; 2004). (1)



O vírus Oropouche (VORO; Bunyaviridae, Orthobunyavirus) é um dos mais importantes arbovírus que infectam humanos na Amazônia Brasileira, sendo o agente causador da febre do Oropouche. Entre os anos de 1961 e 2006, um grande número de epidemias foi registrado em diferentes centros urbanos do estado do Pará (Belém, Santa Isabel, Castanhal, Santarém, Oriximiná, Serra Pelada, zona Bragantina – Igarapé Açu, Maracanã e Magalhães Barata), do Amazonas (Manaus e Barcelos), Acre (Xapuri), Amapá (Mazagão), Maranhão (Porto Franco), Tocantins (Tocantinópolis) e Rondônia (Ariquemes e Oro Preto D’Oeste). Estudos moleculares têm demonstrado a presença de pelo menos três linhagens distintas do VORO na Amazônia Brasileira (genótipos I, II e III), sendo os genótipos I e II os mais freqüentemente encontrados em regiões da Amazônia ocidental e oriental, respectivamente. O genótipo III do VORO, previamente encontrado somente no Panamá, foi recentemente descrito na região Sudeste do Brasil. A associação de dados epidemiológicos e moleculares vêm contribuindo substancialmente para a caracterização das cepas do VORO isoladas durante epidemias, no período de pelo menos quatro décadas, bem como permitindo um melhor  entendimento a respeito da epidemiologia molecular do VORO no que tange à emergência de novas linhagens genéticas e à dinâmica evolutiva desse arbovírus nas Américas e principalmente na Amazônia Brasileira. Este trabalho tem por objetivo apresentar uma revisão dos aspectos epidemiológicos e moleculares do VORO enfatizando sua distribuição, a dinâmica das epidemias ocorridas entre 1961 e 2006, bem como a dispersão de diferentes genótipos no Brasil.( 1)




Em relação ao ciclo silvestre, evidências sugerem que, entre os vertebrados, as preguiças (Bradypus tridactilus), macacos e, possivelmente, determinadas espécies de aves silvestres podem servir como hospedeiros para o VORO (Pinheiro et al., 1962; 2004; Nunes et al., 2005). Embora o VORO tenha sido isolado uma única vez de um lote de mosquitos Aedes serratus no Brasil e de um lote de Coquillettidia venezuelensis em Trinidad (Pinheiro et al, 1981b), até o momento nenhum tipo de estudo foi realizado objetivando avaliar o envolvimento do maruim na transmissão do vírus no que tange o ciclo silvestre. A ligação entre os dois ciclos de manutenção do VORO provavelmente é feita pelo próprio homem, que ao se infectar em áreas enzoóticas silvestres retorna aos centros urbanos ainda em período virêmico, tornando-se uma fonte de vírus em potencial para a infecção de novos maruins. O VORO se replica nos tecidos do maruim, que após um período extrínseco de incubação realiza o repasto sangüíneo e infecta novos indivíduos suscetíveis, dando início a uma cadeia de infecção que culmina em epidemias (Pinheiro et al., 2004)  (1)


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Do original e o blog ALAGOAS REAL
(1) http://www.cadernos.iesc.ufrj.br/cadernos/images/csc/2007_3/artigos/CSC_IESC_2007-3_1.pdf
(2) http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/banalizacao-da-dengue-oculta-outras-doencas-virais-como-febre-oropouche
(3) http://radios.ebc.com.br/tarde-nacional-brasilia/edicao/2016-01/oropouche-e-um-virus-da-regiao-amazonica-que-causa-os-mesmos
(4) http://repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/3957/1/Tese_CaracterizacaoRespostaImune.pdf



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Reviewed By: Mário Augusto

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