Febre amarela, exames laboratoriais para diagnóstico ( Específico e Inespecíficos )

Além dos exames inespecíficos para a Febre Amarela , será necessário realizar testes laboratoriais específicos para confirmar o diagnóstico da doença.

Um caso suspeito de febre amarela é laboratorialmente confirmado, se forem cumpridos os seguintes critérios: 

  • presença do ARN do vírus da febre amarela no sangue de uma pessoa sem história recente de vacinação contra a doença  ou 
  •  presença do anticorpo IgM específico do vírus da febre amarela, ausência de outros flavivírus relevantes (vírus da dengue, vírus do Nilo Ocidental, vírus Zika) e sem história de vacinação recente contra a febre amarela.
Diagnóstico Laboratorial 




Diagnóstico da Febre Amarela  - É clínico, epidemiológico e laboratorial. 

Diagnóstico Laboratorial 


a)Específico - O Isolamento viral é realizado a partir de amostras de sangue, derivados ou tecidos coletados nos primeiros 5 dias após o início da febre. Reação em cadeia de polimerase (PCR); Imunofluorescência e Imunohistoquímica. Sorologia: Ensaio imunoenzimático para captura de anticorpos IgM (Mac-Elisa); Na maioria dos casos requer somente uma amostra de soro sendo possível realizar o diagnóstico presuntivo de infecção recente ou ativa. Outras técnicas são utilizadas no diagnóstico sorológico, porém requerem sorologia com amostras pareadas tais como Inibição de Hemaglutinação (IH); Teste de Neutralização (N) e Fixação de Complemento(FC), considerando-se positivos os resultados que apresentam aumento dos títulos de anticorpos de, no mínimo, 4 vezes, entre a amostra colhida no início da fase aguda comparada com a da convalescença da enfermidade (intervalo entre as colheitas de 14 a 21 dias). 




  •  Ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA) para determinar o IgM do vírus da febre amarela. Outros flavivírus – vírus da dengue, vírus do Nilo Ocidental e vírus Zika virus – podem dar um resultado falso positivo no ensaio ELISA para a febre amarela e, por isso, um painel ELISA para outros flavivírus esperados (conforme determinação da epidemiologia local) deve ser executado como diagnóstico diferencial. 
  •  reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa em tempo real (RT-PCR) para o vírus da febre amarela. Este teste deve ser efetuado em amostras colhidas no prazo de sete dias a partir do início dos sintomas. 


Todas as amostras devem ser transportadas para laboratórios com informação apropriada sobre o doente (e.g., idade. Sexo, local de residência, início dos sintomas, história de vacinação e história de viagens). Os resultados dos testes laboratoriais não podem ser interpretados corretamente sem essa informação. 

As amostras de sangue devem ser analisadas logo que possível, de preferência nas 24 horas seguintes à sua chegada ao laboratório. O momento em que o sangue foi colhido, isto é, o tempo decorrido após o início dos sintomas – afeta a interpretação dos resultados de ambos os testes. Por isso, é importante lembrar que a estimativa do tempo se baseia na história fornecida pelo doente, podendo nem sempre ser rigorosa. Os atuais testes laboratoriais estabelecem uma diferença entre o IgM do vírus da febre amarela estimulado pela vacinação e o estipulado pela infecção com o vírus da febre amarela de tipo selvagem ou urbano. Por isso, os resultados laboratoriais nas pessoas que foram vacinadas contra a febre amarela no prazo de 30 dias devem ser interpretados com cuidado  e avaliados numa base casuística, considerando a apresentação clínica e o contexto epidemiológico, juntamente com os resultados laboratoriais. 




ORIENTAÇÕES PARA A COLETA DE AMOSTRAS:



Os exames para diagnóstico de Febre Amarela disponíveis são a sorologia pelo método de Mac Elisa e o isolamento viral. A sorologia pesquisa os anticorpos contra Febre Amarela e o isolamento viral detecta o vírus. As amostras para RT-PCR (real time PCR) e análise Histopatológico/ Imunohistoquímica são encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas (IEC).


Sorologia

· Deve ser colhido em tubo estéril, hermeticamente fechado ou em tubos à vácuo sem anticoagulante.

· Deve-se coletar o sangue após o 6º (sexto) dia do aparecimento dos primeiros sintomas. O sangue coletado não deve ser imediatamente centrifugado. É necessário aguardar o sangue coagular para separar o soro por centrifugação;

· Centrifugar a 1.500 rpm por 10 minutos, aspirar e transferir o soro para outro tubo limpo/estéril.

· Se não houver centrífuga, deixar o tubo em repouso na geladeira (2 a 8ºC) por um período máximo de 24 horas, o que possibilita a retirada do soro após a sedimentação. 

IMPORTANTE: Não se deve congelar o sangue total, nem encostar o frasco diretamente no gelo reciclável, para evitar hemólise.



Isolamento Viral e RT-PCR:

· Deve ser colhido em tubo estéril, hermeticamente fechado ou em tubos à vácuo sem anticoagulante.

· Pode-se coletar o sangue até o 5°(quinto) dia do aparecimento dos primeiros sintomas. Centrifugar a 1.500 rpm por 10 minutos, aspirar o soro, transferir para um criotubo resistente a baixas temperaturas (≤ -80ºC), estéril e com tampa de rosca. 

IMPORTANTE: Não serão aceitos tubos com tampa tipo rolha para o isolamento viral e RT-PCR.




· Se não houver centrífuga, deixar em repouso na geladeira (2 a 8°C) por um período máximo de 2 horas. Após a sedimentação, transferir para um criotubo resistente a baixas temperaturas (≤ -80ºC), estéril e com tampa de rosca. A amostra deve ser congelada a -80ºC (em freezer ou nitrogênio líquido). 

· Em casos específicos, a amostra pode ser encaminhada à FUNED refrigerada, no prazo máximo de 2 horas após a coleta, ou armazenada a -20ºC por até 48 horas.



Histopatológico/ Imunohistoquímica

· Deve-se coletar fragmentos de vísceras em frasco estéril com tampa de rosca contendo formalina tamponada 10%. Colocar uma amostra de cada fragmento coletado separadamente, em recipiente estéril, identificada com o nome do paciente e do tipo de fragmento.

IMPORTANTE: Colocar os frascos em caixa térmica sem gelo. Conservar em temperatura ambiente.



OBSERVAÇÕES:



1- Deve-se coletar preferencialmente amostra para realização de sorologia. 

2- Em casos de pacientes graves ou que evoluíram a óbito, coletar amostra para isolamento viral. 

3- Toda amostra coletada para isolamento viral, solicitar coleta de segunda amostra, a partir do 6º dia do início dos sintomas, para realização da sorologia. 

4- Todas as amostras com suspeita de Febre Amarela são submetidas à sorologia para Dengue.

5- Para amostras coletadas a partir do 5º (quinto) dia do início dos sintomas com resultado não reagente para Febre Amarela será realizado o exame de Leptospirose. Em caso de óbito o exame de leptospirose também será realizado.

6- Em caso de resultados indeterminados ou não reagentes para Febre Amarela em amostras colhidas antes do 6º (sexto) dia de início dos sintomas, solicitar coleta de segunda amostra.

7- Para amostra não reagente para Leptospirose coletada antes de 10 (dez) dias do início dos sintomas, solicitar coleta de segunda amostra para confirmação. A coleta da segunda amostra deverá ser realizada 7 (sete) dias após a data de coleta da primeira. 

8- Outras doenças suspeitas serão investigadas somente se solicitado pela SES/MG, mediante fundamentação clínica e epidemiológica.

9- Cada amostra deve ser acompanhada da ficha epidemiológica de notificação compulsória do SINAN, devidamente preenchida com todos os dados solicitados.

IMPORTANTE: Informar o histórico vacinal do paciente.


b) Inespecíficos - As formas leves e moderadas apresentam quadro clínico autolimitado, não há alterações laboratoriais importantes, salvo por leucopenia, discreta elevação das transaminases (nunca superior a duas vezes os valores normais encontrados) com discreta albuminúria caracterizada por encontro de cilindros hialinos no sedimento urinário. Nas formas graves clássicas ou fulminantes podem ser encontradas as seguintes alterações: leucopenia com neutrofilia e intenso desvio à esquerda. Em pacientes com infecção secundária pode-se observar leucocitose com neutrofilia. Trombocitopenia (sendo comum valores de 50.000 plaquetas/cm³ ou valores menores) aumento dos tempos de protrombina, tromboplastina parcial e coagulação. Diminuição dos fatores de coagulação sintetizados pelo fígado (II,V,VII,IX E X). Aumento de: Transaminases (em geral acima de 1.000 UI); bilirrubinas (com predomínio da bilirrubina direta); colesterol; fosfatase alcalina; Gama-GT; uréia e creatinina, estas com valores (5 a 6 vezes ou até mais altos que os valores normais). Observe-se que a confiabilidade dos resultados dos testes laboratoriais dependem dos cuidados durante a coleta, manuseio, acondicionamento e transporte das amostras.


FONTE:
MS BRASIL
WHO - OMS

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