3/26/2017

O bacteriologista Brasileiro que reivindicou a descoberta da febre amarela


Nascido a em 5 de novembro de 1842, no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Filho de Domingos José Freire e D. Lauriana Luciana Rosa Freire.



Tornou-se bacharel pelo colégio Pedro II em 1859 e doutorou-se em Medicina em 1866, tornando-se professor de Química Orgânica e Biológica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 


Domingos José Freire Júnior


Destacou-se nas pesquisas sobre febre amarela e desenvolveu uma vacina para a prevenção da doença. Em 1880 publicou o livro Recueils des travaux chimiques suivis de recherches sur la cause, la nature et le traitement de fièvre jeune (“Compilações de trabalhos químicos seguidos de pesquisas sobre a causa, a natureza e o tratamento da febre amarela”). 


No final de 1883, através do Aviso nº. 4.546, o Ministério e Secretaria de Estado de Negócios do Império concedeu-lhe autorização para inocular sua vacina na população do Rio de Janeiro. Foram mais de 2.000 pessoas vacinadas com êxito. Em fevereiro de 1892, o Ministério do Interior, pelo decreto nº. 1.171 criou o Instituto Bacteriológico Domingos Freire, anteriormente denominado Laboratório de Bacteriologia. 


Freire Junior assumiu a direção do Museu Nacional em 1893, quando a instituição já se encontrava no Paço de São Cristóvão. Exerceu este cargo até 1895. Obteve grande reconhecimento nacional e internacional devido a seu trabalho como bacteriologista, principalmente por ter reivindicado a descoberta da febre amarela e ter desenvolvido a vacina que inoculava a doença. Domingos José Freire foi cirugião-mór da brigada por serviços no Paraguai, Oficial da Ordem da Rosa, representante do Brasil ao Congresso de Bruxelas em 1871 e professor interino da Escola Politécnica. 


O pesquisador dirigiu o referido Instituto Bacteriológico até seu falecimento em 21 de agosto de 1899 em sua casa, cuja rua já se chamava Domingos Freire, em Inhaúma, Zona Norte do Rio de Janeiro.


Na ocasião de sua posse na Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Ptomanias da Febre Amarela”. (2)


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As polêmicas de Domingos Freire




Em periódicos do final do século, em particular no Jornal do Commercio e em O Paiz, estão registradas as derradeiras controvérsias em que Domingos Freire esteve envolvido. Uma originou-se de epidemia que causou grandes estragos no Rio de Janeiro em 1892. Freire diagnosticou-a como "febre biliosa dos países tropicais" e publicou em francês a descoberta do bacilo que era seu agente etiológico. Na mesma ocasião, Francisco Fajardo defendeu a tese de que se tratava de impaludismo, assumindo no Brasil a condição de redescobridor do plasmódio recém-descoberto por Laveran.

À semelhança de episódios anteriores, o palco onde transcorreu boa parte da disputa foi a imprensa diária, mas agora ela se revestia de tamanha complexidade que quase só intervinham especialistas. Ao lado de Freire, perfilaram-se médicos encanecidos que se declaravam indignados com aqueles jovens que julgavam saber tudo de bacteriologia. Ao lado de Fajardo, encontramos muitos dos personagens que mais tarde vão ocupar o panteão oswaldiano. Além do próprio Oswaldo Cruz, sobressaíam Carlos Seidl, Chapot Prévost e Adolfo Lutz. Cabe lembrar que Francisco Fajardo figura nas biografias do "fundador da medicina científica brasileira" como o mestre que o persuadiu a se especializar no Instituto Pasteur de Paris. E, nas biografias de Carlos Chagas, como seu iniciador nos estudos sobre o impaludismo.

Domingos Freire sustentou o fogo dos adversários até a sua morte, episódio documentado na imprensa leiga e especializada. Apesar de suas idéias estarem desacreditadas, o tempestuoso personagem foi sepultado com honras de herói — herói de uma ciência brasileira. Mesmo os adversários encarniçados da véspera renderam homenagens à determinação com que este jacobino defendera suas idéias. Mas isso não impediu que fosse virtualmente expurgado de nossa historiografia médica.


Um detalhe sugestivo: a Academia Nacional de Medicina realizou conturbada sessão para decidir se prestava ou não homenagens especiais a Domingos Freire, que chegara ao ponto de renunciar publicamente ao título de membro titular. Findo o debate, foi admitido no recinto um jovem para ser aclamado o mais novo membro titular da vetusta corporação: era Oswaldo Cruz. ( 1 )




Demitiu-se da Academia Nacional de Medicina conforme ofício lido em Sessão de 27 de dezembro de 1894.


Faleceu a 1889, no Rio de Janeiro.




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