Até os super-heróis precisam de ajuda no HGE de Alagoas

Ilustração: Super Herói HGE

HGE de Alagoas : Até os super-heróis precisam de ajuda 




Uma reflexão sobre a série Tudo pela Vida – Quando o Remédio é Tentar o Impossível, apresentada por Drauzio Varella, em reportagem exibida pelo programa Fantástico da rede Globo,no último domingo, 23 de julho de 2017 . 



O primeiro programa foi realizado no Hospital Geral do Estado de Alagoas, tendo como protagonista o médico Cirurgião Geral , Dr. Paulo Valões



O Cirurgião Paulo Valões

Conheço o médico Paulo Valões desde à década de 1990,e sei que a sua maneira de trabalhar é aquela que foi apresentada na Reportagem do Fantástico,domingo 23 de julho de 2017. Infelizmente só não posso responder , ( Há vários questionamentos nas redes sociais ) em relação ao HGE que foi apresentado tão arrumadinho  na telinha Global . Porém, conforme inúmeros relatos encontrados na mídia , o  notório Modus Operandi  é a  contumaz  teatral maquiagem


Print : Facebook do Jornalista Pedro Oliveira, fazendo referência reportagem da TV Globo, no último domingo com o médico Paulo Valões


Uma justa homenagem que acredito ser extensiva a todo patrimônio humano do HGE


Foi preciso o Fantástico realizar uma reportagem em Alagoas ,para a sociedade conhecer uma pequena fração da grandiosidade que há no patrimônio humano do HGE.



Vale ressaltar que a conduta humana,ética e a habilidade técnica ( relativa a cada profissão ) daquele nobre colega homenageado , também está presente na alma de milhares de funcionários que compõem a primorosa equipe de Urgência e Emergência do HGE. Podemos assim concluir que esta é a forma de trabalhar  não somente dos médicos, mas sim, inerente a todos os profissionais  daquela Unidade de Saúde :

Fisioterapeutas, Psicólogos, Enfermagem, Assistentes Sociais, Odontólogos, Setores de Rx,CT,Ultrassonografia , Administrativo,Laboratório,,estudantes, equipe de segurança, limpeza, maqueiros .... etc




"O importante para ter em mente é que um super-herói também precisa de ajuda. E se ele conseguir selecionar e desenvolver uma boa equipe, por mais que demande parte de seu tempo no início, no futuro ele terá a segurança e o tempo necessários para enfrentar batalhas maiores" Pamella Gonçalves, diretora de Pesquisa e Mobilização da Endeavor Brasil. 




Os Heróis sem rosto do HGE


Posso ser injusto se citar inúmeros exemplos desses Heróis sem Rosto , e esquecer o nome das pessoas envolvidas . Portanto somente farei menção aos fatos que presenciei naquela Unidade de Urgência e Emergência Hospitalar :

* Quando fizerem a leitura, os profissionais aqui citados, vão se reconhecer na história


 A) Estava de plantão e não havia no dia  Neurocirurgião . Uma criança estava gravíssima na UTI   em risco iminente de perder a vida . Um ex-diretor do HGE, tomou conhecimento, e mesmo doente ( Crise aguda de Broncoespasmo e IVAS ), foi ao hospital operar o menor e ficou com ele até a manhã do dia seguinte, tomando sua medicação no Hospital e ao mesmo tempo conduzindo o caso na UTI.


B) Presenciei uma Enfermeira, esposa de um colega Cirurgião Geral do HGE, medicando sozinha todas as enfermarias do segundo andar do Hospital, a época de uma greve na saúde. Não via em seu rosto, nada de tristeza ou rancor,mas um sorriso cativante que é peculiar a mesma.
Ilustração : A esquerda ( Antônio - Tonho) um excelente profissional da Enfermagem do HGE - Reportagem do Fantástico em 23 de julho de 2017


C) Maqueiros que por falta das macas , carregavam nos braços os pacientes até a sala de atendimento . Muitos desempenhavam até o papel dos auxiliares de enfermagem, ajudando no banho no leito, dando comida a pacientes sequelados de AVC etc. 


 D)Enfermagem que dividia as vezes seu próprio lanche com as famílias humildes que acompanhavam os pacientes no hospital.


Ilustração : Duas excelentes profissionais do HGE- A esquerda ,Zuleide, a direita Yara Nancy-

Reportagem do Fantástico em 23 de julho de 2017

E )Colegas da UTI, que criavam vagas onde não existiam , com a finalidade de ofertar uma assistência melhor para quem precisava, mesmo que representasse uma sobrecarga em seu trabalho.



F) Quando o gerador de energia falhava, presenciei profissionais médicos,enfermeiras,enfermagem,auxiliares da limpeza ,estudantes todos realizando a função esperada de um ventilador mecânico, com Ambus nas mãos , as vezes durante toda uma madrugada.


Ilustração :Reanimador Pulmonar Manual Ambu De Silicone

G) Vaquinhas, não as virtuais, mas as que eram criadas no plantão para comprar medicamentos que estavam em falta no hospital. Vocês têm ideia de quantas vezes  vi essa compra ser realizada nas farmácias em frente a rampa principal do Hospital ? INÚMERAS !!!!!




Uma bela história a ser contada  


Esses são alguns exemplos que honram não somente aqueles que trabalham na saúde pública, mas a todos que têm os Direitos Humanos como guia em sua vida. 

São esses heróis , sem nomes ou fantasias,anônimos da sociedade que fazem desse mundo, um melhor lugar pra viver. Nos momentos onde a dor, o sofrimento e a desesperança batem a porta daqueles que foram esquecidos pelo poder público,são eles que acolhem e cuidam com carinho familiar ,o nosso povo.

Por esses e outros motivos , a homenagem prestada ao Cirurgião Paulo Valões deve ser considerada extensiva a todos os funcionários do Hospital Geral do Estado de Alagoas , que diuturnamente e de forma abnegada ofertam o melhor que há no âmago de cada profissão em prol daqueles que foram esquecidos pelo poder público.

  • “Sociedade é todo grupo de pessoas que vivem e trabalham juntas durante um período de tempo suficientemente longo para se organizarem e para se considerarem como formando uma unidade social, com limites bem definidos” Ralph Linton, Antropólogo ( O Homem: Uma Introdução à Antropologia. Tradução: Lavínia Vilela. 8ª ed., São Paulo: Martins. 1971. p. 107.)



Mas a realidade atual da saúde no Estado de Alagoas, é outra e não depende dos nossos Heróis! 





Desqualificar às Instituições Médicas,para melhor Governar!


Ilustração : O gestor e a sua tentativa de desqualificação, para se eximir da Responsabilidade


No momento atual tentando salvar a sua  inoperante política  de saúde , o Engenheiro e Ministro Ricardo Barros tenta desqualificar o trabalho dos médicos Brasileiros dizendo que : "Médico tem que parar de fingir que trabalha" . É imperativo rebater as levianas afirmações desse gestor, que não entende nada de saúde, utilizando fatos concretos e vivenciados na saúde do meu estado.


Isso me fez recordar de uma postagem que fiz em 2011,intitulada : Desqualificar para manipular a arte de " bem governar " ! . Nos anais da história ,quem melhor utilizou as artimanhas da desqualificação como forma de angariar popularidade e poder em detrimento do povo que sucumbia pela fome na Alemanha Nazista,foi Adolph Hitler. 


 O proceder que é considerado  verdadeiro assassinato pelo poder estatal

Manter a falta de informação ,burlar a realidade com bombardeamentos de propagandas e falácias são estratégias utilizadas por alguns para se eximir das suas obrigações como governante . Essa tática ardilosa vem sendo utilizada há milênios nos diversos campos da política . Um exemplo , é a conhecida história Bíblica da Omissão Dolosa  no âmbito político -religioso,  utilizada  por  Pôncio Pilatos  com  seu ato simbólico de lavar as mãos , jogando a escolha entre o viver e morrer para a multidão (privilegium paschale - em razão do direito consuetudinário de soltar um preso à época da Páscoa , enquanto o outro seria condenado a morte, no caso em tela ,Jesus Cristo) 


Transportando a história Bíblica para os dias atuais

O sofrer humano dos profissionais abnegados do HGE , não esquecendo das outras unidades de saúde ( Hospital e Maternidade Santa Mônica, Portugal Ramalho, UE do Agreste, Hospitais conveniados pelo SUS etc,) é imensurável ! Todos ofertam o melhor de seus conhecimentos para preservarem a vida ,mas infelizmente não possuem os poderes de Gestão Estatal. Esses profissionais por estarem a frente do falido e esquecido sistema de saúde recebem as queixas da população( e as vezes agressões físicas ,ameaças de morte etc) que cobra e exige deles o que seria  de obrigação do Estado : leitos dignos, medicamentos, comida que em algumas ocasiões, pasmem, não há para alimentar a grande demanda dos pacientes hospitalizados. Isto não é somente a narrativa de um passado recente que teima em se perpetuar, mas a realidade atual da população sofrida que há muito tempo perdeu o direito à Cidadania pela constante Omissão daqueles que por possuírem a autoridade de Gestão nas mãos teimam em não cumprir o que está contido em nossa carta Magna!! 



Trecho do Relatório de Enfermagem do HGE de Alagoas Ipsis litteris - JULHO DE 2017  ( " OBS: Deixo registrado  a falta de AD de 10ml e de 500ml p/ diluição das medicações bem como fita p/ glicemia,tramal,rocefin,cipro,flagyl, entre outras medicações" )



Cultuar o analfabetismo,como pedra basilar das Capitanias Hereditárias na Política


É triste saber que a cultura do analfabetismo político,cultural,social,humano gera o apagão da cidadania e promove a luz que conduz a eleição de alguns políticos do Brasil e da nossa Alagoas!

Vejo a cada dia a população sendo excluída do direito à ter Cidadania . Este direito é minado e soterrado pela Omissão daqueles que deveriam cumprir o que está contido na Constituição de 1988!! 

É angustiante ter que assistir a estas mazelas,sem ter o poder para promover uma verdadeira revolução do bem. 

Mas a política sórdida, não a boa política, prima em reviver diuturnamente a peça teatral do Pão e Circo ,onde as massas são manipuladas desde os primórdios do Império Romano.




A Terra da Manada Encantada 


A verdade é que a saúde em Alagoas só existe no solo encantado das propagandas que lembram o reino de Shangri-la,uma criação literária de James Hilton. (Horizonte Perdido). 

"Tem hora que ele funciona, tem hora que não funciona " Dr. Paulo Valões no Centro Cirúrgico do HGE,fazendo referência ao pedal do bisturi elétrico durante a reportagem exibida pelo Fantástico em 23 de julho de 2017 . Condições aéticas de trabalho



Constituição Federal

Art. 36, parágrafo 6:

  • “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou de culpa”.



O exemplo mais recente dessa política encantada ,  é ver ambulâncias sendo utilizadas  como outdoors móveis e instrumento de marketing . Neste contexto atual onde há falta de leitos hospitalares em Alagoas ,elas  só têm a finalidade de deslocar pacientes de um lugar para outro sem nenhuma resolutividade, além de servirem como mais um instrumento de mídia a perambular pelas cidades! 




  • "A propaganda política busca imbuir o povo, como um todo, com uma doutrina... A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma ideia, e o prepara para quando da vitória daquela opinião". Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, em seu livro Mein Kampf .



Em 2009 escrevi um texto sobre o uso das Ambulâncias e o sofrimento dos pacientes. Vamos portanto relembrar :


Calvário



Volto ao passado quando o meu pai por volta das 5 horas da manhã me acordava para seguirmos a procissão que passava na porta de nossa casa,e fazia o percurso pelo centro de Maceió, com destino a Catedral Metropolitana . Bons tempos que me trazem ótimas recordações e uma saudade da minha infância . Foi assim que aprendi com meu amigo e querido pai Clínio Aguiar, o valor da religiosidade de um povo. Via senhoras a cantarolar algumas melodias, os pés descalços a caminhar com olhares ao céu, que até hoje mesmo em parcos momentos , retornam em meu pensamento aquelas manhãs que só encontramos em pequenas cidades provincianas ,igualmente à Maceió na década de 70.


Foi naquela época que comecei a entender o verdadeiro simbolismo de uma procissão: O caminhar ao norte do sofrer para selar e renovar o pacto da salvação do espírito ,sempre In Memoriam do Salvador , e o porque de tanta gente a seguir aquele grande Homem representado por uma imagem com uma cruz em seu ombro : O amor e a esperança eterna no viver.


Cresci e ficou bem sedimentado em minha religiosidade, os ensinamentos de meu querido e sempre amado pai.


Hoje no entanto , procissão nas terras Caetés adquiriu um outro sentido , não de alegria e comunhão , e sim de dor, sofrimento, angústia, martírio e incertezas quando em ritmo frenético e cadenciado ,ambulâncias chegam ao HGE provenientes de vários rincões das Alagoas, sempre com suas sirenes a soar uma triste melodia para aqueles, que igual ao Cristo, estão em seu calvário .



Após 8 anos ,esse relato ainda é bem real e atual! 


Ainda hoje falta o principal que é a resolutividade dos problemas e o restabelecimento da saúde daqueles que foram esquecidos por seu País. ( Não é por causa das pessoas que  trabalham no sistema público, em especial como referência o HGE, mas pela ausência dos Poderes Públicos )

  • "O Sinmed tem escutado graves desabafos dos médicos, principalmente plantonistas, sobre a falta de medicamentos que jamais poderiam faltar numa unidade do porte. Há dias não tem sequer tramal e também estão em falta diversos antibióticos, entre outros medicamentos de alta demanda. Assim não dá para manter as portas abertas, afinal, não basta ter o médico. É imprescindível dispor de toda a estrutura para viabilizar o serviço. O paciente chega numa emergência querendo alívio para sua dor, e jamais pode sair pior do que entrou." Coluna do Sindicato dos Médicos de Alagoas , Junho de 2017




Naquela época (e ainda nos dias atuais) quando escrevi o texto(A Procissão das Ambulâncias) observava uma política desumana, que criava uma falsa esperança nos pacientes e em seus familiares de que ao chegarem ao seu destino final, o HGE ( antiga denominação da UEALAGES, COEMAL ) iriam encontrar uma cama macia com uma qualidade hospitalar de primeiro mundo . Ledo engano.... O destino final ( como visto na Reportagem do Fantástico) era, e é nas melhores das hipóteses ,uma cadeira,e o chão gelado e sujo , o ápice das violações aos Direitos Humanos.



Procurando uma Maca 



Médico Paulo Valões procurando maca para examinar paciente que se encontrava internado no hospital HGE de Alagoas , no leito CADEIRA. Reportagem do Fantástico em 23 de julho de 2017 - Uma rotina não exclusiva deste profissional, porém  comum à todos que trabalham naquela unidade de saúde.




Estabelecimentos de saúde
  •  A entidade mantenedora de hospital é responsável civilmente por infecção contraída por pacientes baixados em suas dependências. A entidade mantenedora não presta meros serviços de hotelaria, mas é fornecedora de equipamento e do instrumental cirúrgico; é empregadora do corpo de enfermeiras e é credenciadora do corpo médico ( Supremo Tribunal Federal, RTJ/ 91/ 375 e RT 529/254)

  • A maioria desses pacientes chegam ao HGE  provenientes dos municípios Alagoanos ,e as vezes ,até dos estados vizinhos . 

Mas essa política inumana que era, e é ainda praticada, decorre da falta de investimento das prefeituras e do Estado em hospitais locais minimamente qualificados.






CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA

Capítulo III

RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL



É vedado ao médico:

  • Art. 18. Desobedecer aos acórdãos e às resoluções dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina ou desrespeitá-los.
  • Art. 19. Deixar de assegurar, quando investido em cargo ou função de direção, os direitos dos médicos e as demais condições adequadas para o desempenho ético-profissional da Medicina.



A prática da "Ambulânciaterapia"





Ilustração : Print do Facebook do Governador de Alagoas Renan Filho, anunciando festivamente a compra de Ambulâncias 


 A Oferta de um maior número de Ambulâncias  não é a solução para os problemas na saúde pública ! Se o propósito for propaganda ( Outdoors Móveis) , aí sim , servem como instrumento para ofuscar a realidade . Se a intenção for  retirar  dos ombros dos gestores municipais os "problemas  " locais da saúde  , infelizmente , elas passariam a contribuir neste cenário caótico  com a criação  da tão famosa superlotação hospitalar( que está matando pacientes há décadas,não só em Alagoas, mas em todo o Brasil)  devido ao  aporte maior de pacientes que seriam deslocados ao HGE, sem o mesmo ter a estrutura necessária para recebê-los (Física e humana).


  • “Será que é possível falar em falta de recursos para a saúde quando existem, no mesmo orçamento, recursos com propaganda de governo?" (O Controle Judicial de Políticas Públicas. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 2005. p. 74 Américo Bedê Freire Júnior).



Resoluções e Leis sobre o transporte de Pacientes


Urge neste momento  procurar intervir no cerne da questão,nas causas que favorecem as mazelas eternas na Saúde Alagoana ,e deste modo alertar a população usuária sobre os seus direitos e protegê-las de todo e qualquer risco de vida.

 É preciso uma maior fiscalização hospitalar para ver como esses pacientes são transportados ! Há situações onde a presença de um médico durante a remoção é imperativa, mas o que temos observado é o transporte sem a obediência as resoluções do CFM ( Conselho Federal de Medicina (LINK) ) e nem as leis  que regem, regulam e normatizam a área de urgências e emergências pré-hospitalares .

Mas para ocorrer o cumprimento  dessas normatizações,resoluções e leis ,  é necessário o agir daqueles atores que por dever e mister são responsáveis pela proteção,fiscalização e manutenção do ordenamento jurídico






 Conselho Regional de Medicina de Alagoas e  Ministério Público : O guardião do Código de Ética Médica e o Fiscal das Leis





Logo -Ilustração : CRM -AL o Guardião do Código de Ética Médica



Subordinado à Constituição Federal e a legislação do Brasil, o Código de Ética Médica reúne um conjunto de normas e princípios nos quais o profissional de saúde deve se basear para exercer seu trabalho e reafirma os direitos dos pacientes, e a necessidade de informar e proteger a população assistida.



CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA


Capítulo II

DIREITOS DOS MÉDICOS
É direito do médico:

IV - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará imediatamente sua decisão à comissão de ética e ao Conselho Regional de Medicina.




Ilustração - Ministério Público
Incumbe ao Ministério Público o dever de zelar pelo efetivo respeito das ações e serviços de saúde, posto que trata-se de matéria de relevância pública e interesse social, podendo tomar todas as medidas judiciais ou extrajudiciais necessárias para preservá-los (art. 129, II e III c/c art. 197 da CF/88 e art. 5°, inciso V, alínea "a"' da Lei Complementar n° 75/93).




A Judicialização na Saúde


recente Resolução do Conselho Federal de Medicina  determina que as instituições entrem com ação criminal contra os gestores sempre que for constatada situação adversa, e que comprometa a qualidade do atendimento nas unidades de saúde pública. A mesma foi endossada pelo SINMED - AL como podemos ver nesta postagem da Coluna do Sindicato  LINK

Em 24 de junho de 2009 o blog AR NEWS já publicava postagens sobre o tema da criminalização e responsabilidade jurídica dos gestores em relação a gerência no setor de saúde. Confira : O gestor :Responsabilidade do ponto de Vista Legal ou a eficiência do ponto de vista político?



Vejamos então o que vem decidindo o Supremo Tribunal Federal em relação a Saúde:



  • "Não obstante a formulação e a execução de políticas públicas dependam de opções políticas a cargo daqueles que, por delegação popular, receberam investidura em mandato eletivo, cumpre reconhecer que não se revela absoluta, nesse domínio, a liberdade de conformação do legislador, nem a de atuação do Poder Executivo. É que, se tais Poderes do Estado agirem de modo irrazoável ou procederem com a clara intenção de neutralizar, comprometendo-a, a eficácia dos direitos sociais, econômicos e culturais, afetando, como decorrência causal de uma injustificável inércia estatal ou de um abusivo comportamento governamental, aquele núcleo intangível consubstanciador de um conjunto irredutível de condições mínimas necessárias a uma existência digna e essenciais à própria sobrevivência do indivíduo, aí, então, justificar-se-á, como precedentemente já enfatizado — e até mesmo por razões fundadas em um imperativo ético-jurídico —, a possibilidade de intervenção do Poder Judiciário, em ordem a viabilizar, a todos, o acesso aos bens cuja fruição lhes haja sido injustamente recusada pelo Estado." (ADPF 45, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 04/05/04 ).


Portanto, enquanto alguns fiscais da lei,gestores e conselhos profissionais estiverem com acusia ao clamor da justiça, amauróticos voluntários para o léxico jurídico e tetraplégicos para seguirem a estrada do bom norte da justeza, acredito ser a Judicialização na Saúde a única opção para se ter e manter dignamente o viver. 


Conclusão


A criação de Propagandas Institucionais,O perigo de uma possível visão deturpada do Super - Herói  e a Cura Definitiva dos Conflitos.



Ilustração - Facebook Saúde Alagoas - O TEXTO IPSIS LITTERIS encontrado na  postagem :
"Nossos parabéns e sinceros agradecimentos aos médicos alagoanos ,que como o Dr. Paulo Valões,mostrado no Fantástico de ontem (23),desempenham a medicina com seriedade,amor e carinho pelos usuários da saúde publica de Alagoas.
O Governo de Alagoas tem criado condições para oferecer um melhor serviço de saúde para esses profissionais abnegados e exemplares"





Sobre a reportagem do Fantástico é inegável que ela foi uma justa homenagem ao médico Dr. Paulo Valões (e consequentemente ao Patrimônio Humano do Hospital), mas há o perigo dessa matéria também ser utilizada em desfavor dos profissionais da saúde. Explico melhor a minha preocupação utilizando um ambiente hipotético :

 Vamos supor , que em outro plantão, em um novo cenário um paciente cobre de qualquer profissional do HGE um leito que não existe, um medicamento que está faltando, a vaga na UTI que não há etc e venha a citar e comparar dizendo : Se fosse o Dr. Paulo ele resolveria ! Nesta hipótese ,se não houvesse o atendimento do pedido realizado pelo paciente( devido as condições acima citadas ) a responsabilidade pela falta  dos ( materiais médico-hospitalares,hotelaria etc) poderia ser imputada mais uma vez aos profissionais que se encontram no plantão, além das consequências que surgiriam decorrentes do próprio fato , já conhecidas por todos que trabalham na instituição : Os BOs contra os plantonistas,Denúncias no MP, Queixa no CRM-AL, a Divulgação na mídia ( Fato que gera retorno ao site ( $ )com a audiência e macula na maioria das vezes a honra profissional), e as famosas sindicâncias etc, - enquanto os verdadeiros responsáveis por essa má administração, O Governo e seus Gestores, continuariam teoricamente blindados, como já ocorre no dia a dia da saúde. 


 Faltou portanto ao caro Dr. Paulo Valões ter aproveitado a oportunidade que lhe foi dada com a reportagem ,e expor claramente a sociedade que nem só de boa vontade e amor ao próximo, o profissional da saúde do HGE consegue sanar todas as mazelas encontradas naquela unidade, orientando a população usuária do SUS  a cobrar dos gestores os seus direitos que são garantidos por lei .




  • “hotelaria hospitalar é a introdução de técnicas, procedimentos e serviços de hotelaria em hospitais com o conseqüente benefício social, psicológico e emocional para pacientes, familiares e funcionários”. Godoi (2004: 40)

  • " na área de saúde, os avanços tecnológicos têm significado um aumento na complexidade assistencial que vem impondo o aprimoramento dos sistemas de gerenciamento de recursos materiais. E assim, pode-se definir o gerenciamento de recursos materiais em saúde como o conjunto de práticas que assegurem materiais em quantidade e qualidade de modo a que os profissionais possam estar desenvolvendo seu trabalho sem correr riscos e sem colocar em risco os usuários dos serviços. Tendo em vista a garantia da continuidade da assistência com qualidade e a um menor custo" CASTILHO; GONÇALVES, 2005)

  • "As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados pelos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no artigo 198 da Constituição Federal, obedecendo aos princípios da universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência"
  • A integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema e a igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos os privilégios de qualquer espécie." Promotora de Justiça do Estado de Alagoas de Defesa da Saúde , Dra. Micheline Tenório



cura definitiva dos conflitos 


O Direito só existe porque há conflitos na sociedade. O Magistrado ao aplicar o remédio jurídico  por meio da interpretação do nosso ordenamento (principalmente nos casos relacionados a saúde) , permite semelhante à Fênix, o ressurgir da cidadania e a manutenção do bem mais precioso que temos : O Direito a vida . 


 Não tem que se falar em políticas públicas ou desequilíbrio do orçamento estatal, quando os Direitos Humanos são relegados e o viver é baseado na escolha de Sofia!!! 


Este é o meu pensar de cidadão ,após décadas de vivência na área de Emergência médica do Hospital Geral do Estado de Alagoas !!!!


Por hoje é só!

Maceió , 26 de julho de 2017

Mário Augusto




Comentários

Christiano Gusmão disse…
Brilhante exposição e análise de fatos meu caro amigo Mário! Concordo com vc pois sabemos que o profissional médico é um ser humano como qualquer outro, porém a partir do momento que ele faz o juramento torna-se realmente um salvador de vidas dentro das possibilidades humanas e contagia normalmente os que o cercam no incansável dever assumido, principalmente com quem trabalha com urgência/emergência! Esses profissionais dignos e honrados chegam muito próximo de tirar "leite de pedra" no deserto ardente e de sol a pino, os quais parabenizo a todos em sua pessoa a qual admiro bastante! Concluindo acho que existem profissionais altamente competentes na referida instituição e parceiros nas diversas áreas auxiliando em sua totalidade. O que se fala além disso é balela, conversa fiada ou sensacionalismo global, além de se considerar as faltas de condições financeiras, estruturais e secundárias da referida instituição. Parabéns pelo artigo, caminhe sempre de cabeça erguida por desempenhar tão bem nossa nobre profissão.
Christiano Gusmão