Febre Amarela : o limite entre a área urbana e a zona rural,na sua maioria só é definido geograficamente


Nos municípios dos estados afetados pelo surto epidêmico de Febre Amarela, o limite entre a área urbana e a zona rural, na maioria só é definido geograficamente..( Muitas vezes as áreas rurais e urbanas não são facilmente identificáveis, em razão da grande integração que tem ocorrido entre elas) O IBGE define como situação urbana as áreas correspondentes às cidades (sedes municipais),às vilas (sedes distritais) ou às áreas urbanas isoladas. A situação rural abrange toda a área situada fora desses limites. Este critério é, também, utilizado na classificação da população urbana e rural.


Definição de Zona Urbana e Rural:



Zona urbana é a área de um município caracterizada pela edificação contínua e a existência de equipamentos sociais destinados às funções urbanas básicas, como habitação, trabalho, recreação e circulação.

No Brasil, a Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, define que toda "zona urbana" deve observar o requisito mínimo da existência de melhoramentos em pelo menos dois dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II - abastecimento de água;
III - sistema de esgotos sanitários;
IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do local considerado.

A legislação municipal pode ainda considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nesses termos.

No Brasil a classificação das zonas urbanas obedece às normas da Instrução nº 4/79 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano – CNDU.


Zona rural, meio rural ou campo é qualquer região geográfica não-classificada como zona urbana ou zona de Expansão Urbana, não-urbanizável ou destinada à limitação do crescimento urbano, utilizada em atividades agropecuárias, agroindustriais, extrativismo, silvicultura e/ou conservação ambiental.


FA Urbana X FA Silvestre


Conhecendo o conceito das áreas geográficas ,então como diferenciar a Febre Amarela Urbana da Silvestre ? Simples ! Através do vetor envolvido nos casos : Aedes Aegypti para urbana, e Sabethes ou Haemagogus para a Febre Amarela Silvestre.


E em relação aos casos autóctones ? Bem, primeiro vamos entender o que significa essa palavra.

Por definição autóctone significa : Que é natural da região onde ocorre; Que se formou ou teve sua origem no lugar em que foi encontrado ; 

Para entendermos melhor o significado dessa palavra,vamos citar como exemplo um caso confirmado de Febre Amarela , no distrito de Sousa em Campinas publicado hoje no G1


Prefeitura confirma primeiro caso de febre amarela em Campinas; registro é autóctone


"Secretaria de Saúde de Campinas (SP) confirmou, na tarde desta quarta-feira (19), o primeiro caso de febre amarela no município. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, um idoso de 63 anos, morador do distrito de Sousas e que antes era tratado como um registro suspeito, teve o resultado positivo para doença após exames do Instituto Adolfo Lutz. Ele passa bem e está internado em um hospital público da cidade. O caso é autóctone, ou seja, o paciente não viajou para outro locais." Confira aqui



Em relação ao caso confirmado de Febre Amarela na região de Sousas, distrito (Bairro) do município de Campinas , a palavra autóctone pode receber o significado em medicina :  " do caso de Febre Amarela ocorrido dentro do território ou seja que teve origem no lugar que foi encontrado".



MAPA DOS BAIRROS DE CAMPINAS - SP
Listagem de Bairros de Campinas e Unidade de Saúde correspondente pela área de abrangência - Bairro de Sousas número 32 no mapa

OBS: Centro de Saúde"Dr. Pedro Antônio Pierro"(Sousas),
Coordenação: Nicole Montenegro de Medeiros
Endereço: Rua Antônio Prado, 410 - Sousas - CEP 13106-042
Telefone: (19) 3258-1184 / (19) 3258-8465
E-mail: saude.cssousas@campinas.sp.gov.br
Horário de Funcionamento: Segunda à sexta-feira, das 7h às 19h
Vínculo: Distrito de Saúde Leste

Área de Abrangência

Fazenda Agropecuária Dona Amélia, Jardim Ana Luiza, Fazenda Angélica, Fazenda Aracaju, Jardim Atibaia, Jardim Atibaia das Aranhas, Chácara Aveiro / Mato Dentro / Parque Ecológico, Chácara Bela Vista I, Chácara Belmonte, Jardim Belmonte, Fazenda Bom Retiro, Loteamento Bosque de Notre Dame, Jardim Botânico I, Jardim Botânico II, Vila Bourbon, Favela Vila Brandina, Jardim Brandina, Vila Brandina, Favela Vila Brandina I, Favela Vila Brandina II, Caminhos de San Conrado, Residencial Cândido Ferreira, Arr. Claude de Barros Penteado, Colinas das Nações, Jardim Conceição (Sousas), Ocupação Jardim Conceição (Sousas), Núcleo Residencial Cristo Rei, Parque Ecológico, Fazenda Espírito Santo, Parque das Hortências, Loteamento Ille De France, Ocupação Parque Imperial, Parque Imperial, Fazenda Iracema, Bosque Irapua, Fazenda Jaguari, Vila Janete, Fazenda Jatibaia, Parque Jatibaia, Vila Jose Iorio e Lavínio Teixeira, Jardim Martinelli, Ocupação Matadouro, Chácara Mato Dentro (Parque Ecológico), Jardim Monte Bello, Bairro Notre Dame, Nova Sousas, Bairro Palmeiras, Fazenda das Pedras, Rancho Duro, Fazenda Recreio, Fazenda Reunidas Dona Amélia, Jardim Rosana, Fazenda Roseira, Fazenda Santa Angélica, Fazenda Santa Julia, Vila Santa Rita, Fazenda Santa Rita de Mato Dentro, Fazenda Santana do Atalaia, Vila Santana I, Vila Santana II, Fazenda Santo Antônio, Fazenda Santo Antônio da Mangueira, Fazenda Santo Antônio do Maracujá, Jardim Sao Francisco, Fazenda São João, Fazenda São Luiz, Fazenda São Pedro, Fazenda Sete Quedas, Vila Sônia, Jardim Sorirama, Ocupação Jardim Sorirama, Sousas, Fazenda Terezinha da Floresta e Chácara Uirapuru.




Voltamos ao texto aqui: 

Agora depois dessa introdução somente resta saber qual o mosquito envolvido nessa transmissão em Campinas : Aedes, Haemagogus ou Sabethes ?! 

A pergunta que fica é: Seria possível encontrar o provável vetor envolvido ?

Vamos continuar a leitura, e assim chegaremos a uma melhor compreensão 


Vejamos um texto do MS do Brasil sobre a FA urbana e Silvestre,onde mostra claramente que a diferença só existe na nomenclatura( já que a doença é a mesma) e o nome tem sua designação conforme o vetor envolvido :




A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, que tem como agente etiológico um arbovírus do gênero Flavivirus, transmitido por artrópodes. A doença possui dois ciclos epidemiológicos de transmissão distintos: silvestre e urbano. Do ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico, a doença é a mesma. A FA se reveste da maior importância epidemiológica por sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas.

No ciclo silvestre da doença, os primatas não humanos (PNH, macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. O homem participa como um hospedeiro acidental. Nesse ciclo, os transmissores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina e, no Brasil, o gênero Haemagogus. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica. Nesse ciclo, a transmissão ocorre a partir da picada do vetor urbano Aedes aegypti



Agora que entendemos o significado de área urbana e zona rural, entre a doença  FA Urbana e Silvestre e o significado de autóctone, finalizaremos com a resposta a pergunta realizada logo acima :é possível a identificação do vetor envolvido, para classificarmos os casos de Urbanos ou Silvestres nesta imensa epidemia que assola o Brasil? Antes de continuarmos discorrendo sobre esse tema, acho que muitos estão se perguntando porque utilizei o termo epidemia em vez de surto. Bem vejamos os conceitos de surto e epidemia, já descritos nessa outra postagem de 04/02/2017 :   Febre Amarela Urbana e/ou Silvestre ? : Brasil vive o caminho silencioso de uma Epidemia Nacional


Conceitos e definições usados na Vigilância Sanitária



SURTO é a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados – Alguns autores denominam surto epidêmico, ou surto, a ocorrência de uma doença ou fenômeno restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, creches, grupos reunidos em uma festa, um quarteirão, uma favela, um bairro etc. O Surto acontece quando há o aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica. Para ser considerado surto, o aumento de casos deve ser maior do que o esperado pelas autoridades.


EPIDEMIA – É a ocorrência em uma comunidade ou região de casos de natureza semelhante, claramente excessiva em relação ao esperado. O conceito operativo usado na epidemiologia é: uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença, ultrapassando valores do limiar epidêmico preestabelecido para aquela circunstância e doença. Devemos tomar cuidado com o uso do conceito de epidemia lato-sensu que seria a ocorrência de doença em grande número de pessoas ao mesmo tempo. A Epidemia se caracteriza quando um surto acontece em diversas regiões. Uma epidemia a nível municipal acontece quando diversos bairros apresentam uma doença- a epidemia a nível estadual acontece quando diversas cidades têm casos e a epidemia nacional acontece quando há casos em diversas regiões do país.



Agora finalizando a postagem, vamos entender como se dá o  Controle dos Vetores envolvidos na transmissão da Febre Amarela, e no decorrer do texto também encontraremos finalmente a resposta se há possibilidade da identificação do mosquito infectado para a classificação dos casos de Urbanos ou Silvestres .



"As ações de vigilância e controle vetorial são desencadeadas a partir da notificação de casos humanos e/ou de primatas não humanos (suspeitos ou confirmados). Os locais prováveis de infecção (LPI) devem ser caracterizados quanto aos deslocamentos, períodos de viremia, presença de mata (fragmentos, corredores verdes, bosques), proximidade de córregos e aglomerados humanos.
O controle químico (nebulização) deverá ser priorizado, tanto nos casos suspeitos, quanto nos confirmados, importados ou autóctones, visando a eliminação de alados, seguido do controle larvário nos recipientes que podem servir de criadouros do vetor, em LPI situado na área urbana e periurbana.
A pesquisa entomológica, após avaliação da indicação, deverá ser realizada visando a identificação das espécies e para isolamento viral nos exemplares, em LPI situado em áreas silvestre, periurbana e urbana. Ressaltamos a importância da intensificação da mobilização da população e das medidas para o controle de Aedes aegypti para redução da infestação vetorial em todo o município." MS Vigilância Saúde

Suponho que a resposta está bem clara no texto colhido no Manual de controle da Febre Amarela, que é distribuído pelo MS do Brasil. Portanto caros leitores, para uma excelente condução nas ações de saúde, basta somente os atores envolvidos na gestão , seguirem fielmente as normas preconizadas! 

Caros leitores do Blog,estamos enfrentando  uma doença com altíssima letalidade que foi erradicada  do meio urbano no século passado e que reemergiu na forma "silvestre" ávida por vidas humanas e de PNH (primatas não humanos)


É importante saber o que realmente está acontecendo em todo o país! Não desejo fazer conjecturas, mas muitas hipóteses são possíveis diante do cenário político  encontrado atualmente  no Brasil. Há uma falência total dos valores morais e sociais,dentre eles , a saúde . 

Somente mantendo uma impecável investigação dos pacientes infectados,dos PNH mortos e sobreviventes,dos mosquitos da região onde os casos estão ocorrendo ,repensando também o modelo adotado de vacinação associado a uma melhor transparência nos dados fornecidos a população, poderíamos assim ter a solução para estabilizar o surto epidêmico e as respostas mais objetivas as atuais incertezas.


Por hoje é só!

Maceió 19 de abril de 2017

Mário Augusto



 Blog AR NEWS
 Se copiar é obrigatório citar o link da postagem

Fontes:
G1
Wikipédia
IBGE
MS do Brasil
Blog AR NEWS



Febre Amarela : o limite entre a área urbana e a zona rural,na maioria só é definido geograficamente -   Rating: 7 out of 10 -  Blog AR NEWS   

Comentários